Economia

Empresas em dívida ativa quase triplicam em seis anos no Brasil

Imagem mostra notas de real em cima de uma mesa.
Decisões econômicas, inflação e mercado: entenda como os rumos da economia afetam o seu dia a dia. Foto: Pixabay/ Joel Santana

O percentual de empresas em dívida ativa quase triplicou em seis anos no Brasil. A parcela de negócios inscritos no cadastro de tributos não pagos saltou de 7,3% em 2020 para 20% em 2026. Os empresários individuais puxaram o aumento, com alta de 374% nas inscrições no período. As informações são da Gazeta do Povo, com base em levantamento exclusivo da proScore, bureau digital de crédito.

A dívida ativa reúne tributos e valores devidos que não foram pagos no prazo. Os ramos mais afetados dependem de consumo e fluxo de caixa: comércio varejista de roupas, restaurantes e lanchonetes, cabeleireiros e promotores de vendas. São negócios em que uma ruptura pequena no capital de giro pode comprometer rapidamente a capacidade de pagar fornecedores, funcionários e tributos, segundo Mellissa Penteado, CEO da proScore.

Os problemas gerados pela pandemia ainda persistem e ganham força com a deterioração do cenário econômico. A escalada seguiu mesmo após a reabertura da economia, o que indica dificuldade estrutural de recomposição do caixa. Outro fator foi a mudança no perfil dos empreendedores. Muitas pessoas buscaram no empreendedorismo individual uma opção de renda, mas abrir um CNPJ é mais simples do que construir uma empresa financeiramente sustentável.

O volume de vendas no varejo ampliado cresceu apenas 0,8% nos 12 meses encerrados em junho de 2026, segundo o IBGE. A inadimplência entre empresas registra recordes: eram 9,1 milhões nessa situação em junho de 2026, com dívidas de R$ 232,9 bilhões, conforme a Serasa Experian. O número de empresas em recuperação judicial chegou a 7.980 no primeiro semestre de 2026, alta de 8% em relação a 2025.

A Selic em 14% ao ano encarece o custo do capital de giro. Empresas endividadas precisam de liquidez para continuar funcionando. A carga tributária correspondeu a 32,4% do PIB em 2025, o maior nível desde 2010, segundo o Tesouro Nacional. Penteado avalia que empresas e governo disputam o mesmo ambiente de liquidez.

A reforma tributária está em fase de implementação. O split payment, mecanismo em que o imposto sai direto da transação antes de chegar à conta da empresa, tem previsão de operação em 2027. Especialistas estimam que o sistema afetará o fluxo financeiro das empresas. Muitas dependem da folga no caixa e do prazo concedido a clientes para permanecer operando.

A alíquota do futuro Imposto sobre Valor Agregado é estimada em 27,91% pelo Comitê Gestor do IBS, a maior do mundo segundo levantamento da PwC com 146 países. Em uma empresa que opera com margem estreita e depende do prazo entre receber do cliente e pagar fornecedores, a dinâmica de caixa ganha outra dimensão, alerta Penteado.

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