Empresas brasileiras de diversos setores estão transferindo parte de suas operações para o Paraguai, atraídas por impostos mais baixos e custos operacionais reduzidos. A rede Havan anunciou que estuda abrir sua primeira loja fora do Brasil na região de Assunção. Fabricantes como Lupo, Döhler, Karsten, Kidy e Dass já iniciaram operações no país vizinho desde 2025, e a JBS retornou em outubro com investimento de US$ 70 milhões. As informações são da Gazeta do Povo.

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O movimento ganhou força após o Paraguai reformar sua Lei de Maquila no ano passado, facilitando a adesão de empresas ao regime tributário diferenciado. Até dezembro de 2025, das 339 empresas operando sob esse modelo, 231 eram brasileiras, representando 68,1% do total, segundo o Ministério de Indústria e Comércio paraguaio.

O fundador da Havan, Luciano Hang, visitou o presidente paraguaio Santiago Peña no início de julho. “O Paraguai vive um momento de grande transformação. Com impostos baixos, liberdade econômica, contas equilibradas e estímulo ao empreendedorismo, o país atrai investimentos e gera oportunidades”, afirmou o empresário após o encontro.

Paraguai adota modelo tributário 10-10-10

A carga tributária paraguaia segue o modelo “10-10-10”, com alíquota máxima de 10% para imposto de renda de pessoas físicas e jurídicas, e 10% de imposto sobre valor agregado (IVA). Empresas sob a Lei de Maquila, voltadas à exportação, pagam apenas 1% sobre o valor agregado localmente e têm isenção de imposto de renda sobre dividendos.

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O regime também oferece incentivos para importação de insumos, máquinas e equipamentos, com prazo inicial de 20 anos para os benefícios e possibilidade de renovação. A reforma de 2025 ampliou o acesso ao modelo, incluindo prestadoras de serviços e incentivos específicos para produção de equipamentos eletrônicos.

Custos trabalhistas e energia são mais baixos

Apesar do salário mínimo paraguaio ser de 3,044 milhões de guaranis (cerca de R$ 2,6 mil), superior ao brasileiro, os encargos trabalhistas são menores. A contribuição patronal ao Instituto de Previdência Social é de 16,5%, contra 20% no Brasil, e não há recolhimento de FGTS, PIS/Pasep ou contribuição ao Sistema S. O custo total da mão de obra fica entre 25% e 35% acima do salário, enquanto no Brasil pode ultrapassar 100%.

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A tarifa industrial de energia elétrica também é mais acessível, custando em média US$ 41 por MWh contra US$ 113 no Brasil, segundo a Rede de Investimento e Exportação paraguaia. Outras empresas brasileiras como Adere, Proeletronic e Bralyx avaliam seguir o movimento, e Cacau Show, Bauducco e Bom Sabor já buscaram informações sobre operar no país.

O Paraguai recebeu 33.243 pedidos de residência de estrangeiros no primeiro semestre de 2026, alta de 62% em relação ao mesmo período de 2025. Brasileiros lideram com 22.628 solicitações aprovadas, representando 76% do total. Segundo a incorporadora Raíces Real Estate, brasileiros respondem por 50% das vendas da empresa e 60% dos pedidos de residência para investidores no país.