As companhias aéreas não pretendem aplicar novos aumentos nos preços das passagens aéreas, que vêm ocorrendo desde o início de junho. Segundo as empresas, o que ocorreu nos últimos meses foi uma redução nos descontos oferecidos nas tarifas. Agora, segundo suas Assessorias de Imprensa, as principais companhias pretendem manter as tarifas no atual nível.

No começo do ano, as empresas, pressionadas pela concorrência da Gol, que diminuiu em até 50% os preços de suas tarifas, entraram em uma guerra de preços, fazendo diversas promoções. Na época, o dólar oscilava entre R$ 2,40 e 2,30. A cotação atual da moeda norte-americana está acima dos R$ 3.

Essa alta influenciou diretamente o preço das tarifas, pois a incidência da moeda norte-americana nas despesas das companhias aéreas está entre 40% e 50%, em função dos gastos com combustível e leasing dos aviões, na maioria dos casos.

Segundo as empresas, não foi possível manter a guerra de tarifas e elas foram reduzindo gradualmente as promoções.

De acordo com a Gol, houve aumento das tarifas com relação ao começo do ano, mas não ao ano passado. Ainda de acordo com a assessoria, os preços são basicamente os mesmos cobrados em 2001. As outras empresas fazem as mesmas alegações. A Varig informou que fez uma redução de 5% a 10% nas tarifas promocionais na última semana de agosto.

Apesar das alegações das empresas de que não estudam fazer novos reajustes de preços, especialistas do mercado crêem que se o dólar se mantiver acima dos R$ 3, não será possível segurar as altas, já que as empresas estão tendo dificuldades, principalmente a Varig, que possui uma dívida estimada em US$ 900 milhões.

A assessoria de imprensa da empresa não informou que mudanças ocorrerão após o anúncio da ajuda do governo ao setor, com a edição de uma medida provisória cujo maior destaque é desoneração em relação à arrecadação do PIS/Cofins, valores que as empresas aéreas não repassaram para a União entre 1988 e 1999.