Brasília – A autonomia financeira e administrativa das agências reguladoras, inclusive contra contingenciamentos de verbas  orçamentárias, e o direito de somente as agências poderem conceder a outorga de serviços, ao invés de os ministérios das respectivas áreas, foram os principais pontos defendidos pelos debatedores no 3º Seminário sobre Petróleo, Gás e Combustíveis: Desafios e Perspectivas.

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O seminário foi promovido, na Câmara dos Deputados, pela Frente Parlamentar em Defesa da Infra-estrutura Nacional, em conjunto com o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) e o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás), e contou com a participação de deputados federais, senadores e empresários do setor.

Os debatedores também criticaram as movimentações, no Congresso Nacional, no sentido de alterar, "no calor dos acontecimentos", conforme afirmou o ex-senador Rodolpho Tourinho, a estrutura das agências reguladoras. Segundo Tourinho, essas mudanças estariam sendo articuladas devido às críticas feitas à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a partir do acidente do Airbus da TAM, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, no dia 17 de julho.

O presidente da Frente Parlamentar, deputado Eduardo Sciarra (DEM-PR), disse que está "nos últimos detalhes" a tramitação na Câmara do projeto de lei 334, de 2007, oriundo do Senado, a chamada Lei do Gás. O relator do projeto, deputado João Maia (PR-RN), garantiu que vem discutindo amplamente com os vários setores interessados a proposta, de autoria de Rodolpho Tourinho.

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O empresário Luiz Costamillan, presidente do grupo BG, informou que há intenção do setor privado em fazer investimentos no setor de petróleo, gás e combustíveis de cerca de US$ 30 bilhões, entre 2008 e 2012, mas que esses investimentos dependem, basicamente, da autonomia administrativa e financeira das agências reguladoras, no caso desse setor, da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Durante o seminário, que marcou os dez anos de votação da quebra do monopólio estatal do petróleo e do gás, os debatedores defenderam alterações no projeto de lei nº 3337, de 2004, de autoria do Poder Executivo, em tramitação na Câmara, que pretende reformular por completo as agências reguladoras.

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Defenderam também apoio na votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 81, de 2003, de autoria do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que quer ampliar a independência administrativa e financeira das agências reguladoras e afastá-las o mais possível de qualquer ingerência do governo, por intermédio dos ministérios das respectivas áreas. A PEC já foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e deverá, em breve, ser votada, em dois turnos, pelo plenário do Senado.