O novo plano de política industrial, intitulado Plano Brasil Maior, apresentado ontem pelo governo federal, foi bem recebido por executivos da indústria brasileira. Reunidos hoje no 4º Congresso Brasileiro de Inovação na Indústria, presidentes de empresas e entidades elogiaram a abrangência do projeto e a sinalização favorável dada pelo governo em relação a pontos importantes, como a desoneração aos exportadores de produtos manufaturados. “O diagnóstico, a análise do que precisa ser feito e a urgência de se fazer estão certo. Agora só é preciso fazer”, comentou o presidente do conselho de administração da BRF Brasil Foods, Luiz Fernando Furlan.

Para o executivo, que já ocupou o cargo de ministro de Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior, no governo Lula, o Plano Brasil Maior sinalizou a existência de uma sintonia entre o governo e a iniciativa privada. Inclusive em relação à decisão federal de desonerar a carga tributária sobre a folha de pagamento de alguns setores, como a indústria de móveis e calçados. “O governo é cauteloso, por isso acredito que o plano seja um teste. E à medida que os resultados apareçam, certamente vai haver a inclusão de outros setores nessa desoneração”, disse.

A presidente da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), Elizabeth de Carvalhaes, também classificou como positivo o programa anunciado ontem. Além do incentivo à inovação, ponto fundamental para a indústria brasileira de celulose, a executiva também destacou a decisão do governo de enfrentar o problema de acúmulo de créditos retidos de exportadores, ainda que a ação do governo precise ser mais efetiva nessa frente, segundo ela, e a preocupação com o avanço dos importados.

A prioridade dada pelo governo federal à competitividade da indústria nacional também foi ressaltada pelo presidente da petroquímica Braskem, Carlos Fadigas. “É um primeiro passo importante que precisava ser dado e que mostra a disposição e a proatividade do governo em defender a indústria nacional”, afirmou.

Definidos os pontos principais do Plano Brasil Maior, a nova prioridade do governo federal deve ser a análise da situação de setores específicos. “Acredito que são necessárias também medidas setoriais. Por isso, a Braskem e a Abiquim (principal entidade da indústria química) pretendem desenvolver com o governo a montagem de uma agenda de trabalho conjunto para o setor”, destacou.