As mudanças nas regras de concessão de benefícios trabalhistas e previdenciários têm desagradado não apenas aos trabalhadores e sindicalistas. As empresas, principalmente as pequenas, pressionam o governo para não assumir a conta da alteração das regras do auxílio-doença. As maiores críticas vêm agora da indústria, setor que passa por uma forte crise e que começou a demitir de forma mais preocupante.

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O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, elevou na quarta-feira, 28, o tom da resistência às medidas anunciadas pelo governo. Em entrevista ao Estado, Skaf fez duras críticas às mudanças nas regras do auxílio-doença que fazem parte do pacote de medidas de reformas do governo Dilma Rousseff para garantir o ajuste fiscal deste ano.

Skaf disse que a indústria vai tentar derrubar a medida no Congresso Nacional. “É natural sermos contra. É um absurdo que, numa situação como a de hoje, o governo onere ainda mais as empresas, que já são oneradas com impostos altos, encargos e burocracia”, afirmou. Até agora, a empresa era obrigada a pagar o salário integral do funcionário afastado por doença apenas nos primeiros 15 dias. A partir de março, terá de pagar o salário integral nos primeiros 30 dias.

Isso significa que afastamentos entre 15 e 30 dias, antes bancados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), passarão a ser custeados pelas empresas. Isso dará um alívio ao caixa da Previdência Social, que tem registrado déficits crescentes.

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Na avaliação da Fiesp, em vez de aliviar as empresas para ajudar na recuperação da competitividade em um momento de dificuldade econômica, o governo agravará ainda mais a situação.

Economia

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O governo não esperava a rejeição pelas empresas porque alega que o assunto está sendo discutido há muito tempo. Nas contas oficiais, a mudança na concessão do auxílio-doença e das pensões economizará R$ 2 bilhões por ano aos cofres do Tesouro.

As alterações servem, na versão oficial, para estancar a trajetória de crescimento das concessões de auxílio-doença. Em 2013, o governo gastou R$ 22,96 bilhões com o pagamento desse benefício, quase 27% a mais do que no ano anterior, quando foram pagos R$ 18,09 bilhões. No acumulado de janeiro a novembro de 2014, foram concedidos 2,5 milhões de benefícios adicionais.

As despesas cresceram nos dois últimos anos por dois fatores principais: elevação de pedidos por usuários de drogas e indenizações pagas decorrentes de acidentes de trânsito. Na avaliação do Ministério da Previdência, a experiência internacional mostra uma maior responsabilização das empresas nos casos de doença dos trabalhadores.

Direito

Todo empregado impedido de trabalhar por doença ou acidente, e que contribuiu para a Previdência Social por um mínimo de 12 meses, tem direito ao auxílio-doença. O objetivo do benefício é dar ao incapacitado, temporariamente, condições de reabilitação profissional e reinserção no mercado de trabalho.

Além da mudança em relação ao que a empresa pagará, o auxílio-doença não poderá exceder a média das últimas 12 contribuições – atualmente, o valor é calculado com base na média dos maiores salários de contribuição. A perícia, que hoje é feita exclusivamente por médicos do INSS, poderá ser feita pelas empresas que possuem serviço médico, órgãos e entidades públicas, sob supervisão do INSS.

Desidratação

As resistências às medidas podem desidratar o pacote de ajuste fiscal e exigir mais medidas do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. A orientação da presidente Dilma Rousseff é reequilibrar as contas públicas e reconquistar a confiança nos investimentos.

As previsões de economia com as medidas, estimadas em R$ 18 bilhões, foram feitas pela equipe do ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, que também preparou as mudanças nas regras, processo iniciado em 2013. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.