Em jantar na residência oficial do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), na noite de terça-feira, 18, presidentes e representantes de algumas das maiores empresas do País fizeram uma série de críticas ao governo Dilma Rousseff.

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Além de reclamar da falta de interlocução, os empresários criticaram maquiagens nas contas do governo federal e os atrasos em investimentos nas áreas de infraestrutura e logística. Os parlamentares que participaram do encontro saíram com a sensação de que, além das críticas a Dilma, os principais rivais na eleição, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), também não empolgam o “PIB brasileiro”.

Participaram do evento os presidentes da Gerdau S.A., Jorge Gerdau Johannpeter, da BRF-Brasil Foods, Cláudio Galleazi, do Conselho de Administração do Santander, Gustavo Carlos Marin, os vice-presidentes da Ambev, Pedro Mariani, da construtora Andrade Gutierrez, Gustavo Barreto, do grupo Queiroz Galvão, Luiz Ronaldo Cherulli, e da Marcopolo, José Antonio Fernandes Martins.

Estavam presentes, ainda, o diretor de operações da Ipiranga, José Augusto Dutra Nogueira, além de representantes de empresas como Souza Cruz, Companhia Brasileira de Cartuchos, Cosan, OAS, entre outras.

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Pela Câmara, além de Alves, participaram os líderes do PP, Eduardo da Fonte (PP), do PMDB, Eduardo Cunha, do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP), além do deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), que foi o responsável pelo convite aos empresários.

Questionamentos

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Os parlamentares ouviram um rosário de críticas à administração federal. Os empresários reclamam que as decisões são tomadas sem que os setores afetados sejam ouvidos previamente e fizeram questionamentos sobre a situação fiscal do governo. Nas conversas, relataram que “maquiagens nas contas públicas” retiraram a credibilidade da administração Dilma. Isso teria provocado retração de investimentos no País.

Os ataques se estenderam a projetos de infraestrutura e logística. Para os empresários presentes, segundo relato de parlamentares, os atrasos frequentes nessas áreas causam perda de competitividade às empresas nacionais.

Diálogo

Goergen acredita que o encontro pode ser um embrião de um “Conselhão da Câmara”, para que os parlamentares passem a ter um contato direto com os empresários. “Não é feio falar com empresários. São eles que geram riqueza e precisamos ouvi-los”, disse o deputado do PP gaúcho. Para ele, apesar das críticas a Dilma, os empresários ainda não enxergam claramente os presidenciáveis Aécio Neves (PSDB) ou Eduardo Campos (PSB) como políticos capazes de mudar o cenário macroeconômico.

As críticas aos deputados vão na mesma linha das levantadas pelo presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Pedro Passos, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. Há duas semanas, ele afirmou que a confiança dos empresários no governo acabou.

A declaração provocou reação no governo. O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, afirmou que é preciso fazer uma “discussão de relação” com os empresários e que os problemas podem ser resolvidos na conversa. “Empresário ficar fazendo beicinho não dá”, disse o ministro, também à reportagem. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.