Economia

Empresários argentinos compram empresas brasileiras em ritmo recorde

Uma imagem de close-up foca nas mãos centralizadas de uma feirante de meia-idade e de um cliente idoso em uma feira de rua brasileira ao ar livre e movimentada. A feirante, com um avental floral, está colocando várias notas de Real brasileiro usadas de várias denominações (visíveis, mas ligeiramente desfocadas) diretamente na palma aberta e envelhecida do cliente. Suas mãos estão entrelaçadas, centralizadas na composição. A feirante olha para a transação com um sorriso gentil, enquanto o cliente idoso olha com uma expressão de satisfação. O fundo é um borrão quente e vibrante de atividades do mercado, barracas desfocadas com frutas e vegetais, outras pessoas e a luz do sol da tarde. A fotografia documental e autêntica tem grãos visíveis e profundidade de campo muito rasa, focando apenas no dinheiro e no ponto de contato das mãos. A iluminação é natural e quente.
Dinheiro Real mudando de mãos: Uma transação de mercado de rua captura o fluxo diário e a interação humana do comércio local. Foto: Imagem criada por Inteligência Artificial.

Empresários argentinos fizeram 18 operações de aquisição ou investimento no Brasil em 2025, superando pela primeira vez o movimento inverso de brasileiros comprando na Argentina. O número representa quase o dobro das 10 operações feitas por grupos brasileiros no país vizinho no mesmo período. As informações são da Gazeta do Povo.

A inversão marca uma mudança histórica nos negócios sul-americanos. Durante décadas, eram os brasileiros que cruzavam a fronteira para adquirir empresas argentinas. Agora, juros altos no Brasil, câmbio desfavorável e empresas em dificuldade criaram oportunidades para os vizinhos.

Em 2026, a tendência continua. O laboratório argentino Elea comprou o controle da Cellera Farma em maio. Em julho, a fintech Cocos Capital adquiriu ativos da Warren. No setor de infraestrutura, o empresário Marcelo Mindlin assumiu a reestruturação da InterCement, uma das maiores fabricantes de cimento do país.

Estabilização econômica na Argentina viabiliza investimentos

Até poucos anos atrás, inflação elevada, desvalorização do peso e controles cambiais impediam empresários argentinos de acumular capital em moeda forte. A melhora das contas públicas e a redução da inflação mudaram esse cenário.

Embora a taxa básica de juros na Argentina seja de 29%, ela fica abaixo da inflação de 33,8%, o que significa juros reais negativos. Isso torna o dinheiro “barato” para tomar emprestado. No Brasil, a Selic de 14% com inflação de 4,4% resulta em juros reais de 9,15%, encarecendo o crédito para empresas brasileiras.

“O que se observa não é exatamente uma descoberta do Brasil pelos argentinos, e sim o retorno de um capital que já esteve aqui e recuou”, explica Bruno Guimarães, planejador financeiro certificado. Grupos como a Corporación América, que controla aeroportos de Brasília e Natal, já operam no país há mais de uma década.

Brasil oferece mercado maior e ativos desvalorizados

O mercado brasileiro de 213 milhões de habitantes atrai empresários argentinos em busca de escala. A proximidade cultural, a integração via Mercosul e o conhecimento prévio do ambiente regulatório reduzem riscos.

Matheus Jaconeli, analista da ZIIN, aponta que a necessidade de empresas brasileiras venderem operações para pagar dívidas ou entrarem em recuperação judicial cresceu 22% em 2025. “Com o cenário oposto, os argentinos enxergam oportunidades em nosso país”, afirma.

A família Mindlin protagoniza o movimento. Marcelo Mindlin assumiu a InterCement em abril, enquanto seu filho Nicolás comprou ativos da Warren. Outras operações incluem a compra da Usiminas pela Ternium por R$ 315,2 milhões e a aquisição do Laboratório Mundo Animal pela Biogénesis Bagó por US$ 24 milhões.

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