Emprego no Paraná teve aumento de 7,7% em 2004

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Indústria de alimentos e bebidas
criou mais de 14 mil postos
de trabalho no ano passado.

A criação de 122.648 empregos na economia formal paranaense em 2004 é o melhor desempenho desde que o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) começou a tabular os dados no Estado, em 1990. Trata-se de um aumento de 7,74% no acumulado entre janeiro e dezembro de 2004. Porém, mesmo somando esse saldo positivo ao do ano passado, o número não é suficiente para atingir os 700 mil empregos que o governo do Estado divulgou terem sido criados entre janeiro de 2003 a novembro de 2004 no Paraná. Segundo o Dieese, esse número não ultrapassa os 350 mil (leia texto anexo).

Mesmo assim, os números de 2004, fornecidos pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e divulgados ontem, são considerados muito bons. "O saldo de empregos acumulados em 2004, se comparado com o de 2003, de aproximadamente 66 mil, teve um aumento de quase 100%", comemora o economista do Dieese, Sandro Silva. "Esse desempenho prova que a economia vai bem no Paraná".

O mês de dezembro foi o único no ano com queda no nível de emprego, de 1,79%, com um número de 31.317 vagas perdidas. Com esse resultado, o número de trabalhadores com carteira assinada no Paraná fechou o ano em aproximadamente 1,707 milhão. "O saldo negativo em dezembro já era esperado. Na verdade tínhamos uma expectativa pior", comenta Silva. Segundo o economista, a baixa é puxada pelas demissões no interior do Estado. "É normal a agroindústria demitir devido ao período de entresafra."

Todos os estados brasileiros apresentaram aumento de demissões em dezembro, especialmente os que têm a economia baseada na agricultura. No Paraná, a queda foi maior do que a média nacional, de 1,39%. "Esse panorama se opõe ao fato de que, desde 2001, o interior vem puxando o aumento na criação de empregos, principalmente por causa das exportações, que aumentaram com a desvalorização do real", explica o economista. Em 2004, o interior do Paraná foi responsável por criar 66,23% das vagas de trabalho formal. O crescimento foi de 8,58%, com a geração de 81.229 empregos.

Esse é o nível mais baixo desde 2001, quando a participação do interior no número total de vagas foi de 74%. "Esse número vem caindo porque, com a recuperação da economia do País, os setores ligados à indústria voltados para o mercado interno, que tradicionalmente fazem parte da RMC, contratam mais", afirma Silva. "Se a economia se comportar da mesma forma em 2005, é possível que ocorra uma inversão, com mais crescimento de empregos na RMC." A RMC teve um crescimento de 6,50%, com 41.419 postos criados. Das regiões metropolitanas brasileiras, Curitiba foi a que teve o 2.º melhor desempenho, ficando atrás apenas de Belém, que obteve um crescimento de 7,67%. A média nacional foi de 5,58%.

O Paraná foi o 8.º Estado que mais criou empregos. "Mas em termos de estados desenvolvidos, ficou atrás apenas de Santa Catarina (8,09%) e do Espírito Santo (8,19%)" comenta Silva. A média paranaense também foi superior à média nacional, de 6,55%. No número total de empregos gerados, o Estado ficou atrás apenas de São Paulo (497 mil) e de Minas Gerais (175 mil).

Os ramos de atividades que mais contribuíram para o crescimento no emprego do Estado foram a indústria de alimentos, bebidas e álcool (14.889), a têxtil e de vestuário (7.352) e a de material de transporte (5.893). No setor de serviços, o destaque fica para outros serviços (9.569) e hotéis e restaurantes (8.525). No setor de comércio, o varejista criou 29.279 empregos e o atacadista 5.770. A indústria de transformação foi a que mais cresceu em 2004: 178%. Pulou de 17 mil para quase 48 mil vagas em 2004. Apenas o subsetor da administração pública teve desempenho negativo, com -6,18%.

Números do governo não fecham

Em novembro último, o governo do Estado divulgou que foram gerados, no Paraná, de janeiro de 2003 a novembro de 2004, 700 mil empregos formais e informais. Segundo estimativas feitas pelo Dieese, esse número varia entre 250 e 350 mil. "O número do governo é superestimado. Provavelmente porque acredita que o mesmo crescimento do mercado formal pode ser aplicado ao informal, o que não é real", afirma Cid Cordeiro, economista do Dieese.

O economista explica que o critério do governo é multiplicar por três o saldo do emprego formal. "Fazem isso porque os técnicos do governo acreditam que esse saldo represente apenas 31% do mercado", conta Cordeiro. O saldo de empregos formais criados em 2003 e 2004 foi de 185.018. "Com os números de dezembro, fazendo o mesmo cálculo, o fechamento dos dois anos seria de 596.832. O que já representa uma queda brutal."

Em 2003, o aumento do número de ocupações, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi de 54 mil. Para atingir o número do governo, em 2004 teriam de ter sido criadas 646 mil ocupações. "Ou seja, gerar em um ano mais do que o Paraná gerou em todo o período de 1995 a 2003 (629 mil)", diz Cordeiro.

Segundo o IBGE, em 2003, o Paraná tinha 348 mil desocupados. "Se somarmos a isso a média de 120 mil pessoas que ingressam no mercado anualmente, de acordo com o número do governo, não existiriam mais desempregados no Estado", diz Sandro Silva. As estimativas dos dois órgãos serão confrontadas novamente quando o IBGE divulgar os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), em setembro.

Desemprego

O Dieese estima que a taxa de desemprego na RMC é de 15%, correspondendo a aproximadamente 200 mil desempregados. O governo estadual coloca esse número em 100 mil. Para Cordeiro, mais do que polêmicos, os números do mercado de trabalho paranaense demonstram o aumento da formalização dos empregos, com o crescimento de postos com carteira assinada e um tímido crescimento na renda média do trabalhador, que tem um aumento depois de seis anos consecutivos de queda. "Além disso, vale ressaltar a queda nas taxas de desemprego no Estado". (DD)

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