O número de trabalhadores nas indústrias do Paraná cresceu 4,47% em setembro na comparação com o mesmo mês do ano passado. O índice, divulgado ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), revela que o resultado ficou acima da média nacional, calculada em 3,5%. O levantamento aponta também que, no acumulado dos nove primeiros meses do ano, a taxa ficou em 3,21%, também acima da média do País (1,1%).

Com esses números, o resultado do crescimento dos empregos industriais no Paraná nos últimos 12 meses ficou em 2,78%, enquanto a média brasileira foi calculada em 0,3%, a primeira taxa positiva da série histórica iniciada em dezembro de 2002. Na comparação de setembro sobre o mês do ano passado, foi o quinto aumento consecutivo no País.

Os dados do IBGE apontam também que a folha de pagamento dos empregados na indústria do Paraná, em setembro, apresentou um crescimento real de 6,53% sobre igual mês de 2003. No acumulado do ano, a elevação foi de 8,82%. Já no acumulado dos últimos 12 meses, foi verificado um aumento de 5,08% nos salários dos trabalhadores do parque industrial paranaense.

O número de horas pagas no setor também apresentou crescimento no Estado nas três comparações. Em setembro, a elevação ficou em 2,34% sobre igual período do ano passado. Nos primeiros nove meses de 2004, o aumento foi calculado em 2,31%. Já no resultado do período entre setembro de 2003 a setembro de 2004, o crescimento ficou em 2,35%.

Nacional

Setembro foi o quinto mês seguido em que houve aumento no emprego industrial. Entre os locais pesquisados pelo IBGE, Minas Gerais foi o destaque com crescimento de 7,4%, amparado no desempenho de setores como máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (30,1%) e alimentos e bebidas (4,7%). O único desempenho negativo foi verificado no Rio de Janeiro, com queda de 2% no número de contratações.

Metodologia

A Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário do IBGE produz indicadores de curto prazo relativos ao comportamento do emprego e dos salários nas atividades industriais, sobre pessoal ocupado assalariado, admissões, desligamentos, número de horas pagas e valor da folha de pagamento em termos nominais (valores correntes) e reais (deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA).

A coleta é realizada mensalmente nas empresas que possuem unidades locais registradas no CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica), reconhecidas como industriais pelo Cadastro Central de Empresas do IBGE.

A pesquisa foi iniciada em 1968 com o nome de Pesquisa Industrial Mensal – Dados Gerais. Em 1997, passou a ser denominada Pesquisa Industrial Mensal – Emprego, Salários e Valor da Produção.

A partir de 2001 a pesquisa foi reformulada, deixando de levantar informações sobre o valor da produção industrial e passando a ser denominada Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário.

Desigualdade racial diminui um pouco

Pesquisa feita pelo Die-ese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos), divulgada ontem, aponta que a desigualdade racial no mercado do trabalho no Brasil diminuiu, mas os negros continuam recebendo salários menores e as mulheres negras são maioria entre trabalhadores sem carteira e empregados domésticos.

Segundo a pesquisa, cresceu a participação dos negros no mercado de trabalho, seja empregados ou procurando emprego. O maior crescimento foi registrado em Belo Horizonte (de 58,5% para 61,5%) e Porto Alegre (de 6% para 58,3).

Já a taxa de desemprego segue atingindo mais os negros – que são maioria entre a população em idade ativa (10 anos ou mais) – do que os não negros nas seis regiões metropolitanas pesquisadas (Belo Horizonte, Distrito Federal, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo). A maior taxa foi verificada em Salvador (26,9%) e o menor índice em Belo Horizonte (21,9%). Já entre os não negros as taxas de desemprego ficaram em 18,4% e 17,2%, respectivamente.

Salários

Quanto aos salários a desigualdade também é grande. Em Salvador, os negros ganham quase metade do que os não negros – em média R$ 575, enquanto os não negros recebem R$ 1.148,00. A tendência permanece mesmo entre os negros com curso superior, que recebem, em média, 20% menos que os não negros.

"A desigualdade do negro em relação ao não negro diminuiu porque o mercado de trabalho foi pouco gratificante para todo mundo, em especial para o não negro", disse Antônio Ibarra, coordenador da pesquisa.

Mulheres

As mulheres negras são maioria entre trabalhadores sem carteira e empregados domésticos ou trabalhos familiares ou não – remunerados. Cerca de metade das trabalhadoras negras ocupam vagas no chamado trabalho vulnerável, em São Paulo (50,7%), Salvador (53,1%) e Recife (50,9%). Em Belo Horizonte o índice vai a 46,4%; em Porto Alegre, 47,5%; e no Distrito Federal, 41%.

Ainda segundo a pesquisa do Dieese, as mulheres negras recebem salários menores e, em média, trabalham mais. A jornada média mensal, no Distrito Federal, por exemplo, é de 38,4 horas para as negras e 38 horas para as mulheres brancas. As informações são da Agência Brasil.