Brasília (AE) – Pelo sétimo mês consecutivo, o número de empregos com carteira assinada criados no País superou o de demissões. O mercado de trabalho formal criou em julho 202 mil postos, que, apesar de significar uma redução de cerca de 2,8% em relação ao saldo de junho (207,9 mil), foi 443% superior às 37,2 mil vagas criadas no mesmo mês do ano passado. Os números são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado ontem pelo ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini. Foi o melhor resultado para os meses de julho desde o ínicio da série histórica do Caged em 1992.

“São dados que refletem a continuidade da recuperação econômica”, disse o ministro. Segundo o Caged, de janeiro a julho deste ano foi criado 1,236 milhão de vagas, 106,7% a mais que os 598,2 mil postos abertos no mesmo período de 2003. No ano passado, a economia encolheu, o que torna a base de comparação muito baixa para efeito de estatísticas. Apesar disso, Berzoini destacou como motivos da recuperação do mercado formal de trabalho o bom desempenho das exportações de alguns setores e o crescente aquecimento do consumo interno.

Berzoini mantém a projeção de criação de 1,8 milhão de postos de trabalho este ano e a meta de que o índice de desemprego fique abaixo de um dígito. “São metas que dependem do crescimento econômico, mas estão sendo criadas as condições para isso”, destacou. O ministro acredita que as próximas pesquisas de desemprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) irão refletir também a tendência de melhoria no mercado de trabalho. Berzoini voltou a ressaltar as diferenças de metodologia do Caged e da pesquisa do IBGE. O Caged é um cadastro de informações do mercado formal montado a partir de dados sobre demissões e contratações fornecidos obrigatoriamente pelas empresas. Já o levantamento do IBGE, por exemplo, apura o percentual de pessoas que estão procurando emprego, considerando os mercados formal e informal.

Indústria

Mais uma vez, as informações do Caged mostraram maior crescimento da oferta de empregos com carteira assinada no interior do País, onde as vagas aumentaram 1,18% no mês passado, enquanto nas regiões metropolitanas o crescimento foi de 0,47%. Em termos absolutos, a indústria de transformação foi o destaque, com a abertura de 56 mil vagas. No acumulado do ano, já são 382,3 mil empregos formais nesse setor.

A agricultura também se destacou, ao empregar mais 55,1 mil trabalhadores no mês e acumular no ano 271,5 mil novos postos. O setor de serviços teve um saldo positivo de 42,7 mil vagas, enquanto o comércio ofereceu 33,5 mil empregos.

Ao analisar as regiões, em julho, o Caged apontou que todos os estados apresentaram expansão do emprego formal. São Paulo registrou o maior crescimento, com a criação de 70,8 mil postos, seguido de Minas Gerais, 31,7 mil vagas, Rio de Janeiro, 12,4 mil, e Paraná, com 11,7 mil.

Tributos

Berzoini afirmou que o projeto de redução de tributos sobre a folha de salários permitirá uma maior formalização da mão-de-obra no Brasil. Sem se comprometer com a data em que o governo pretende encaminhar essa proposta de desoneração da folha ao Congresso Nacional, ele disse que o assunto é objeto de “discussões técnicas” entre as equipes dos ministérios da Fazenda e da Previdência Social. Segundo o ministro, a discordância ainda está na definição de qual percentual de tributos cobrados sobre a folha que pode ser transferido para faturamento ou valor agregado das empresas sem prejudicar a arrecadação do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).