Nos primeiros painéis de quarta-feira, 21, no Fórum Econômico Mundial de Davos, sinais de certo otimismo misturaram-se a uma sensação de insegurança de empresários e investidores, derivada da natureza muito ampla e pouco mapeada dos riscos globais.

A queda pela metade – totalmente inesperada – do preço do petróleo; o fato de os principais bancos centrais do mundo estarem entrando em rota de divergência (contração monetária nos EUA, mais expansão na zona do euro e no Japão); os muitos riscos geopolíticos; e até solavancos inesperados, como a repentina supervalorização do franco suíço na semana passada, na esteira da decisão do BC da Suíça de acabar com o limite à apreciação – todos esses são fatores que trazem incerteza à elite global reunida em Davos. Alguns deles são até positivos, como o petróleo barato, mas a forma drástica e imprevisível como ocorreu reforça o sentimento de cautela dos investidores.

Recuperação

No lado positivo, o principal fato é a recuperação da economia americana, que está firmemente sustentada, como observou Anshu Jain, co-CEO do Deustche Bank, por diversos fatores: tecnologia, juros reduzidos, “shale gas” (gás de xisto) e a demanda dos consumidores, ainda mais fortalecida pela queda do preço do petróleo.

Segundo Anthony Scaramucci, fundador e sócio-gerente do hedge fund SkyBridge Capital, as empresas do S&P 500 estão sentadas numa pilha de mais de US$ 2 trilhões em dinheiro, e uma surpresa positiva pode ser a de que esses recursos comecem a ser investidos à medida que prossiga a recuperação da economia dos Estados Unidos. Os riscos, porém, são numerosos e alguns dos principais têm natureza pouco conhecida. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.