Em ata divulgada há pouco, o Comitê de Política Monetária (Copom) informou que mudou sua premissa para o câmbio de R$ 3,55 para R$ 3,85 pelo cenário de referência. Apesar da elevação, o novo valor considerado para o dólar está abaixo do negociado no dia em que o colegiado decidiu manter a Selic de 14,25% ao ano pela segunda vez. Na quarta-feira passada, o dólar à vista fechou em R$ 3,9450, a maior cotação desde 1º de outubro. A utilização de uma referência mais baixa para o câmbio tem sido recorrente nos documentos do Banco Central.

O realinhamento dos preços domésticos em relação aos internacionais – via alta do dólar – vem sendo apontado pelo BC como um dos principais fatores de pressão para a inflação no curto prazo, ao lado do ajuste de preços administrados ou monitorados pelo governo. Além de promover a rolagem integral dos vencimentos de contratos de swap cambial e de também rolar os prazos para leilão de linha, o BC colocou recursos novos no mercado por meio de mais swap e linha para tentar conter a volatilidade da moeda norte-americana. (Célia Froufe, Adriana Fernandes e Victor Martins – celia.froufe@estadao.com; adriana.fernandes@estadao.com e victor.alves@estadao.com)

Em ata do Copom, BC ELEVA PROJEÇÃO DE REAJUSTE DE PREÇOS ADMINISTRADOS EM 2015 DE 15,2% PARA 16,9% –

O Banco Central voltou a revisar para cima sua projeção para os preços administrados de 2015 e 2016, conforme a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada há pouco. Para a autoridade monetária, esse conjunto de itens apresentará este ano elevação maior até do que a prevista pelo mercado financeiro. Pelos cálculos do colegiado, o avanço será de 16,9% este ano, e não mais de 15,2% como constava na edição anterior – no documento julho estava em 14,8%; no de junho, em 12,7%; no de abril, a previsão era de 11,8%; no de março, de 10,7%, e, no de janeiro, de 9,3%.

Para 2016, a diretoria prevê taxa de 5,8% ante variação de 5,7% apresentada na ata anterior – também estava em 5,7% em julho, mas vinha de 5,3%, em abril e junho; de 5,2%, em março, e de 5,1%, em janeiro. Estas previsões ajudaram a formar a base para que o colegiado mantivesse na semana passada a taxa básica de juros (Selic) em 14,25% ao ano.

Com os sucessivos aumentos das expectativas para esse conjunto de itens, o parâmetro do BC ficou maior do que a expectativa dos analistas do mercado financeiro para 2015, mas ainda inferior quando o horizonte é 2016. No Relatório de Mercado Focus da última segunda-feira, a mediana das projeções para os preços administrados estava em 16,11% para este ano e em 6,60% para o próximo.

A ata de hoje revela que, para estimar a elevação desses itens, o BC considerou uma alta de 51,7% da tarifa de energia elétrica este ano – na edição anterior, a previsão era de 49,2%. A diretoria também levou em conta a hipótese de elevação de 15% do preço da gasolina (antes estava em 8,9%) e de alta de 19,9% do preço do botijão de gás, substituindo a taxa de 15%. No caso de telefonia fixa, a autoridade monetária suprimiu a apresentação de sua previsão na ata de hoje. No documento passado, esse a estimativa para este segmento era de uma baixa de 3,5%. (Célia Froufe, Adriana Fernandes e Victor Martins – celia.froufe@estadao.com; adriana.fernandes@estadao.com e victor.alves@estadao.com)