O presidente da Eletrobrás, José Antônio Muniz Lopes, afirmou hoje que os investimentos em seis usinas que a estatal pretende construir em parcerias no Peru devem chegar a US$ 16 bilhões. As usinas vão gerar em torno de 7 mil megawatts (MW) e deverão começar a operar entre 2010 e 2014, atendendo principalmente o mercado brasileiro.

“Inicialmente o projeto previa a construção de quatro usinas voltadas exclusivamente para o Brasil, mas decidimos que não seria possível deixar o mercado peruano de lado”, disse. O projeto completo prevê 15 usinas no total. “Ainda estamos construindo a parceria para este investimento. Inicialmente já há a manifestação de interesse da OAS e da peruana GTZ, que participaram do projeto de previsibilidade da obra”, disse em entrevista após participar do Seminário Internacional de Integração Brasil-Peru.

Segundo o secretário de Planejamento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura, ex-presidente da Eletrobrás, a construção das usinas tem de ser alvo de um tratado entre os dois países para garantir a maior segurança para o empreendimento e à geração de energia.

“Somente um tratado, a exemplo do que existe hoje com o Paraguai, para Itaipu, e com a Bolívia, para o fornecimento de gás natural, garante estabilidade para além de governantes e impede uma modificação das regras a esmo”, disse.

O secretário lembrou, no entanto, que o tratado não impede uma rediscussão das regras caso uma das partes assim o queira. “É o que está acontecendo hoje com o Brasil e o Paraguai. Mas com o tratado estas mudanças ficam mais dificultadas e evita abusos na alternância de poder, já que o contrato é para geração de energia por mais de 20 ou 30 anos”, argumentou.