O Grupo Eletrobrás mais uma vez foi hegemônico no leilão de linhas de transmissão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o 19º sob o novo modelo do setor, que privilegia o deságio sobre a receita anual permitida para as empresas concorrentes. Pelo menos três das controladas pela Eletrobrás – Furnas, Eletronorte e Chesf – saíram vitoriosas do leilão, com lotes arrematados em parceria ou sozinhas.

Furnas levou três dos quatro lotes que disputou sozinha ou em parceria com outras empresas, entre os quais o que oferece a maior receita, referente às linhas de transmissão e subestação no Estado de Goiás. Este foi também o lote mais disputado, único a ir para o sistema de viva voz (com a Cymi Holding) e que apresentou o maior deságio do leilão, de 32,44%. Já o menor deságio também foi apresentado por uma controlada da Eletrobrás, a Eletronorte, de 0,01% para arrematar sem concorrência uma linha de transmissão de 20 quilômetros na Amazônia.

A única empresa considerada pela Aneel legitimamente espanhola, a Cobra, conseguiu levar um dos quatro lotes que disputou, referente às linhas de transmissão e subestação em Minas Gerais. Já as demais empresas de origem espanhola, Abengoa, Elecnor e Isolux – que por possuírem escritório no Brasil, são consideradas empresas nacionais – tiveram participação tímida, em nada lembrando o furor que causaram nos primeiros leilões sob este sistema de deságio, três anos atrás. A Alupar levou um dos dois lotes que disputou, referente à linha de transmissão no Mato Grosso. A companhia venceu disputa com a Eletronorte, que ofereceu para mesmo lote um deságio equivalente a metade do seu.