Rio

  – A companhia norte-americana El Paso (que no Paraná tem participação na termoelétrica de Araucária) vai vender sua participação no Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol). Segundo o vice-presidente Comercial e de Desenvolvimento de Negócios da multinacional, Eduardo Karrer, a empresa concluiu que o investimento não agrega valor aos negócios no Brasil e preferiu focar seus esforços na exploração e produção de gás natural no País. “É uma espécie de reciclagem no portfólio”, disse.

A El Paso tem 9,66% de participação na Transportadora Brasileira do Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG), empresa que opera o duto, e já comunicou aos sócios Petrobras, BG, Shell e Enron que pretende se desfazer do negócio. “Todos os outros sócios têm reservas de gás na Bolívia ou mercado no Brasil e, por isso, o investimento tem sentido. Nós, não. Então resolvemos dar mais atenção à busca de gás no Brasil, um segmento com maior potencial”, explicou o executivo.

O vice-presidente da El Paso nega que a decisão esteja ligada à paralisia do mercado brasileiro de gás, cujo crescimento está abaixo do esperado. “O desempenho do gasoduto, tanto no aspecto operacional quanto no financeiro, está dentro do esperado”, garante.

O gasoduto, com 3,1 mil quilômetros de extensão, tem uma capacidade de transporte de 24 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, mas só transporta atualmente cerca de 12 milhões. Em maio, a capacidade será ampliada para 30 milhões de metros cúbicos por dia. Karrer disse, porém, que os contratos de transporte com a Petrobras e a BG garantem as finanças do projeto, que consumiu investimentos de US$ 2 bilhões.

A empresa passa por dificuldades nos Estados Unidos e chegou a promover demissões em sua filial brasileira no ano passado. A companhia chegou ao País com uma atitude agressiva no mercado de térmicas – investiu US$ 1,8 bilhão – e agora enfrenta um problema no Paraná com a suspensão pela Copel do contrato de compra da energia da térmica de Araucária, na qual tem 60% de participação.