Rio (AG) – Uma semana depois de a editora espanhola Santillana anunciar a compra de 75% das ações da editora carioca Objetiva, outra negociação movimenta o mercado editorial: a Ediouro Publicações anunciou a compra de 50% da Nova Fronteira, comandada por Carlos Augusto Lacerda.
De acordo com ambas as partes, o principal objetivo da associação é a consolidação das respectivas posições de mercado, ?potencializando as vantagens competitivas e desenvolvendo sinergias?.
A Ediouro é hoje uma das cinco grandes casas editoriais do País na área de títulos gerais (que exclui os didáticos e técnicos) e já tem outras duas editoras sob seu controle, a Agir e a Relume-Dumará. As duas empresas anunciam também que vão manter a independência de suas marcas, estrutura e catálogos.
A Nova Fronteira detém um dos catálogos mais representativos da literatura brasileira, com nomes como João Ubaldo Ribeiro, Guimarães Rosa, Cecília Meirelles, João Cabral de Melo Neto e Antônio Callado, entre outros.
Objetiva
No último dia 10, o gigante espanhol de comunicação Prisa – dono do jornal El País – anunciou em Madri a compra de 75% da editora Objetiva por R$ 20,387 milhões. O negócio foi realizado pela Santillana Ediciones Generales, divisão de livros do grupo, que já controla as editoras brasileiras Moderna e Salamandra.
Fundada em 1991, a Objetiva é uma das principais editoras do Brasil, responsável pela publicação de aproximadamente 75 títulos por ano, entre os quais o dicionário Houaiss. Por isso, a operação suscitou dúvidas sobre uma possível desnacionalização do setor.
A associação, na prática, da Ediouro com a Nova Fronteira pode ser um movimento de defesa das duas editoras contra o apetite das empresas internacionais do ramo.
Segundo o economista Fábio Sá Earp, especializado no mercado editorial, a venda de editoras brasileiras a grupos estrangeiros abre a polêmica questão da desnacionalização de um setor que divulga a cultura:
?Esta é uma questão polêmica também na Europa?, diz ele.