O economista Adolfo Sachsida, integrante da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), acredita que o futuro governo pode reorganizar as contas públicas em até 18 meses. A prioridade seguinte seria avançar em reformas microeconômicas para aumentar a produtividade. Ex-ministro de Minas e Energia no governo Jair Bolsonaro, Sachsida é um dos principais responsáveis pela elaboração de propostas econômicas para Flávio, ao lado da ex-presidente da Caixa, Daniella Marques. As informações são da Gazeta do Povo.
O grupo reúne ex-integrantes do Ministério da Economia da gestão Paulo Guedes e discute alternativas para as contas públicas, a arrecadação e o ambiente de negócios. A equipe também trabalha na separação entre medidas que poderiam ser adotadas pelo Executivo e aquelas que dependeriam do Congresso. Ao longo dos últimos anos, Sachsida elaborou um pacote de 200 medidas que considera fundamentais para atacar os principais entraves ao crescimento brasileiro: desequilíbrio fiscal, burocracia, tributação elevada e baixa produtividade.
Ajuste fiscal é prioridade do plano econômico
O diagnóstico de Sachsida parte da necessidade de conter o crescimento da dívida pública e recuperar a capacidade do Estado de financiar suas atividades sem pressionar os juros. A estratégia converge com o plano de governo de Flávio, que coloca o ajuste das contas públicas como ponto central de seu plano econômico, além de prometer um corte de gastos e uma nova regra fiscal. A ideia de apresentar uma PEC fiscal ainda este ano, caso Flávio seja eleito, já foi confirmada publicamente pela equipe de campanha.
Em agosto, a dívida bruta do governo geral alcançou 82,9% do PIB, ou R$ 11,05 trilhões, segundo o Banco Central. No mesmo mês, o déficit nominal acumulado em 12 meses chegou a R$ 1,26 trilhão, equivalente a 9,48% do PIB. A maior dificuldade está na composição do orçamento. Conforme o Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027, 91,7% dos gastos primários da União são obrigatórios, como aposentadorias, pensões, salários e transferências constitucionais.
Propostas incluem redução de ministérios e mudanças tributárias
As propostas defendem a redução de 39 para 25 o número de ministérios. O plano de governo do senador do PL estabelece uma meta de cortar pelo menos dez pastas da atual estrutura. Sachsida também propôs revogar mais de mil atos normativos do governo atual que, segundo ele, aumentaram a burocracia sem trazer benefícios à população. A medida foi incorporada pela campanha, conforme indicou Daniella Marques em evento.
Uma das propostas mais ousadas de Sachsida é limitar a reforma tributária sobre o consumo aos tributos federais. Ele defende a continuidade da implantação da Contribuição sobre Bens e Serviços, que substituirá PIS e Cofins, mas quer impedir o avanço do Imposto sobre Bens e Serviços, que substituirá gradualmente ICMS e ISS. O economista também propõe reduzir o IOF, extinguir o Imposto Seletivo e acabar com o imposto de exportação do petróleo.
