Economia solidária é a denominação que se dá às práticas econômicas que se destacam pela ênfase na solidariedade, cooperação e na gestão compartilhada. Nos empreendimentos solidários, todos os trabalhadores assumem de forma igualitária o processo decisório: não há empregados e nem patrões.

Aparece na sociedade civil organizada sob a forma de cooperativas autênticas (aquelas que são fiéis aos princípios do cooperativismo), de empresas autogestionárias (geridas pelos próprios trabalhadores), clubes de trocas, padarias comunitárias, etc. A preocupação central é o ser humano e as práticas econômicas tendo como horizonte um projeto de sociedade que seja compatível com a justiça social, a democracia participativa e a preservação do meio ambiente.

Coincidentemente, nos últimos anos, tem crescido o interesse pela economia solidária, ao mesmo tempo que surgem os grandes movimentos de contestação ao modelo mercantil de governar o mundo, o que tem causado miséria e degradação do meio ambiente.

Os protestos adquirem âmbito mundial. Tratados pela imprensa como “movimentos antiglobalização”, são vistos por alguns autores como “movimento social globalizado” ou “movimento dos movimentos” (Antonio Negri).

O Movimento é nômade, não conhece fronteiras, hegemônico. Perpassa Seatle, Gênova, Chiapas, Porto Alegre.

Movimento em nível global, não corporativo, busca a “globalização da solidariedade” e afirma, segundo lema do Fórum Social Mundial de Porto Alegre que um novo mundo é possível.

Porto Alegre, 23 a 28 de janeiro de 2003: terceira edição do Fórum Social Mundial. Estão previstas cerca de 100 mil pessoas, vindas de todas as partes do mundo. Representantes de Organizações não Governamentais, movimentos sociais, partidos políticos, sindicatos, pastorais sociais, estudantes e outros segmentos da sociedade. Espaço onde são discutidas propostas para a construção de um mundo melhor, uma globalização solidária, capaz de respeitar e garantir os direitos humanos universais e promover a preservação do meio ambiente.

A economia solidária tem espaço privilegiado no Fórum Social Mundial. Haverá conferências, debates, oficinas e trocas de experiências sobre o tema tornando possível, ainda que naqueles dias, a vivência autêntica de comunidade solidária.

Vale a pena conferir!

Gisele Carneiro

é graduada em Serviço Social, mestranda em Direito pela Universidade Federal do Paraná e membro do núcleo de Direito Cooperativo, Associativismo e Autogestão do Programa da Universidade Federal do Paraná.