?Não há fundamentos econômicos internos para o risco estar neste nível; há fatores externos para o mercado estar nervoso?, concorda Ricardo Moraes Filho, diretor da Spirit Corretora de Valores. ?Existe o risco eleitoral de mudança de política econômica, mas macroeconomicamente o Brasil está na direção certa?. Além das eleições, diz ele, os dois fatores que mais preocupam o mercado são a situação argentina e o desaquecimento da economia norte-americana, que gera redução dos ativos dos países emergentes das carteiras.
?Acredito que após as eleições – desde que não haja grandes mudanças na política econômica – haverá retorno do fluxo estrangeiro nos países emergentes, porque os EUA continuam em desaquecimento?, avalia o diretor da corretora, para quem há uma grande parcela de exagero no nível de cotação do risco Brasil. ?Esse número precisa ser bem interpretado. Não se pode comparar o nível da Nigéria com Brasil, porque o índice leva em consideração apenas o preço da dívida externa, a partir da negociação dos títulos brasileiros no exterior, e não o seu volume de negociação?, critica.
Moraes destaca que o risco-Brasil ?é um parâmetro que serve para precificar nossa dívida externa, mas não quer dizer que o País não tenha credibilidade ou capacidade de honrar seus compromissos?. ?Esse número mostra que não existe tanto apetite para investidores estrangeiros comprarem títulos da dívida nesse momento. Mas o outro lado da moeda é verdadeiro: quem acreditar na economia brasileira pode estar num dos melhores momentos?, acentua.
Segundo Moraes, a tendência é o mercado continuar bastante volátil até as eleições. ?Acredito que o mercado deva acalmar um pouco nos próximos dias, embora com bastante turbulências?. Na opinião do analista, o Banco Central tem todas as ferramentas necessárias para controlar esse quadro instável. ?O Armínio Fraga tem controle da situação, mas não usou todas as cartas que tem na manga?. ?O dólar está um pouco exagerado, tende a oscilar bastante, mas até o final do ano vai se estabilizar no patamar anterior de R$ 2,65?, espera.
Exagero
Para o professor de Economia da UFPR, Vamberto Santana, ?70% da instabilidade do mercado é dose de especulação e 30% por conta de dificuldades reais da economia brasileira, como taxa de juros, carga tributária e inquietação política?. Ele salienta que a manutenção da Selic em 18,5% desestimula demanda e reduz a perspectiva de vendas do sistema produtivo, contribuindo para elevar a dívida pública e diminuir investimentos externos.
Para o economista, algumas referências do risco-Brasil são questionáveis. ?O volume de exportações do Brasil pode não estar suficientemente bom em função de características momentâneas de mercado, mas na medida que o governo baixe impostos e juros, os negócios voltam a crescer?.
Santana acha perfeitamente possível uma reversão desse quadro em curto prazo. ?Há uma demora burocrática em adotar posições mais consistentes. O governo vai até o limite que o setor privado não consegue mais assimilar para então adotar medidas?, opina, apontando a redução dos juros e a venda de dólares pelo BC como soluções para baixar o dólar e ativar a economia. A ociosidade da indústria brasileira gira em torno de 30% da capacidade instalada. (Olavo Pesch)
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