Foto: Arquivo/O Estado

Consumo da população alavancou a economia.

A soma das riquezas produzidas pelo Brasil no ano passado – o Produto Interno Bruto (PIB) – foi de R$ 1,9 trilhão. O cálculo foi apresentado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número confirma o crescimento de 2,3% da economia, divulgado pelo instituto há cerca de um mês.

A atividade que mais contribuiu para os resultados foi a indústria, aumentando sua participação de 38,9% em 2004 para 40% no ano passado, somando 690,6 bilhões. O setor de serviços também teve desempenho positivo e alcançou R$ 985,3 bilhões, saltando de 55,6% em 2004 para 57% em 2005. Já a agricultura não apresentou bons resultados, reduzindo sua participação de 10,1% para 8,4%. O setor totalizou 145,8 bilhão.

?O fraco crescimento em volume da agropecuária de apenas 0,8%, além da queda dos preços de cerca de 9,5% explicam a queda dos valores correntes deste setor?, afirmou a técnica do IBGE, Maria Laura Martins.

A redução dos preços foi causada principalmente pela seca, que afetou as safras de milho, café, arroz, fumo, algodão e laranja. E também pelo registro de febre aftosa no Mato Grosso do Sul.

Salários

A massa salarial – soma de todos os salários recebidos por trabalhadores brasileiros – teve aumento de 5,3% no último ano, segundo o cálculo divulgado pelo IBGE. Segundo o instituto, com isso, o PIB per capita – quanto cada cidadão teria da riqueza brasileira se ela fosse dividida igualmente – foi a R$ 10,5 mil por ano.

O aumento da massa salarial resultou, segundo o IBGE, em um aumento do consumo das famílias. Ao longo de 2005, as famílias brasileiras gastaram R$ 1,075 trilhão. Isso faz com que o consumo seja responsável por mais da metade do PIB brasileiro.

Segundo o IBGE, outro indicador do consumo apresentou boa elevação: as operações de crédito cresceram 36,7%. O efeito colateral, segundo o instituto, foi a queda na taxa de poupança do País, que foi de 23,2% para 22,2% do PIB. Foi a primeira queda do nível de poupança, após quatro anos seguidos de crescimento. ?A poupança é um resíduo do consumo. Quando aumentam as despesas de consumo final, há um decréscimo na taxa de poupança?, explicou Maria Laura.

Exportações e consumo

As exportações tiveram um crescimento menor em 2005, na comparação com outros setores da economia, segundo o cálculo do IBGE. Com isso, a participação do setor na formação da riqueza nacional ficou menor. Em 2004, as exportações haviam contribuído com 18,0% do Produto Interno Bruto (PIB). Ano passado, o volume caiu para 16,8%.

Os investimentos também tiveram alta forte: 11% na comparação entre 2004 e 2005. O aumento da cotação do real, que torna os produtos brasileiros mais caros no exterior, é o principal motivo para o crescimento menor (2,07%) da exportação, segundo o IBGE.

Por outro lado, a quebra de safra e o surto de febre aftosa no Mato Grosso do Sul no fim do ano passado fizeram com que a agropecuária perdesse participação no PIB no ano passado. A fatia do setor caiu de 10,1% em 2004 para 8,4% no ano passado. A coordenadora de Contas Trimestrais, Maria Laura, lembra que, ao longo do ano passado, a média dos preços do setor caiu cerca de 9,5%. 

Brasil salta de 15ª para 11ª economia do mundo

São Paulo (AE) – O Brasil subiu no ano passado 4 posições no ranking das maiores economias do mundo, colocando-se em 11.º lugar. Em 2004, o País estava na 15.ª posição. Esta possibilidade de ascensão já havia sido prevista pelo economista da Austin Rating, Alex Agostini, a pedido da Agência Estado, em 24 de fevereiro. Ontem foi feita a confirmação, após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgar que o Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado foi de R$ 1,9 trilhão, com crescimento de 2,3% em relação ao resultado de 2004.

O Brasil passou a Holanda, o México, a Austrália e a Índia. Para chegar a esta conclusão, o economista da Austin transformou os valores em reais do PIB em dólar, que é a forma de comparar as economias de vários países utilizada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Para isto, utilizou como referência o câmbio médio de 2005 (R$ 2,4341), divulgado pelo Banco Central.

Agostini salientou, porém, que estes números são passíveis de modificação porque o último dado disponível do FMI para fins comparativos é de setembro. Uma atualização dos números está prevista para o fim de abril. ?O FMI divulgará o relatório com os dados consolidados de 2005, mesmo preliminares, pois antes eram apenas estimativas?, comentou o economista.

América Latina

O desempenho do PIB do Brasil no ano passado, convertido em dólares, levou o País a ultrapassar o México e a tomar o seu lugar como líder da região. De acordo com cálculos do economista da Austin, a participação do Brasil na região subiu de 30,7% em 2004 para 34,2% no ano passado. Já a do México foi reduzida de 34,4% para 32,5%.

A Argentina manteve seu posto de terceira maior economia da América Latina. A Colômbia e o Chile também não mudaram de colocação, situando-se, respectivamente, em quarto e quinto lugares.

Coréia

A economia brasileira poderá passar a da Coréia e atingir o posto de 10.ª maior do mundo, de acordo com Agostini ?Isto é possível. Para tanto, é necessário que o País cresça 3,8%, uma taxa de câmbio média de R$ 2,3 por dólar e inflação de 4,8%?, calculou. De acordo com ele, a perspectiva da Austin para o PIB deste ano é exatamente de 3,8%, levemente abaixo da previsão do Banco Central para o período, de 4%.

Já para a Coréia, a previsão é de um crescimento de 5% e inflação de 3% este ano. De acordo com Agostini, a valorização do real em 2006 seria da ordem de 5,5% em relação ao dólar (câmbio médio). Já a do won (moeda coreana) deve ser de 4% a 5%.