O ministro da Fazenda, Dario Durigan, está discutindo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma proposta para endurecer as regras do arcabouço fiscal em um eventual quarto mandato. A principal mudança em estudo reduz o limite anual de crescimento das despesas públicas de 2,5% para 1,5%, além da criação de novos gatilhos para restringir o avanço dos gastos obrigatórios. A sinalização foi apresentada por Durigan na semana passada durante conversas com representantes de três grandes instituições financeiras. As informações são da Gazeta do Povo.

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O ministro foi escalado como porta-voz do programa econômico de Lula e buscou transmitir ao mercado o compromisso de fortalecer o controle das despesas caso o presidente seja reconduzido ao cargo. O Ministério da Fazenda foi procurado para se posicionar oficialmente sobre a discussão e não retornou até a publicação desta matéria.

Atualmente, o arcabouço fiscal já prevê um mecanismo que limita o crescimento real dos gastos com pessoal a 0,6% dois anos após o registro de déficit primário. Déficit primário é quando o governo gasta mais do que arrecada, sem contar os juros da dívida. A proposta em avaliação pretende ampliar esse tipo de restrição para outras despesas obrigatórias, repetindo um modelo semelhante ao adotado em 2024, quando o governo limitou a correção do salário mínimo aos parâmetros definidos pelo novo regime fiscal.

Integrantes da equipe econômica avaliam que um teto mais rígido pode contribuir para reduzir o ritmo de expansão das despesas obrigatórias, especialmente aquelas vinculadas ao salário mínimo, como benefícios previdenciários e assistenciais. Como esses gastos ocupam uma parcela crescente do Orçamento da União, a expectativa é ampliar o controle das contas públicas e reduzir a trajetória de crescimento da dívida.

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Embora Durigan não tenha apresentado um projeto detalhado aos representantes do mercado financeiro, a intenção foi demonstrar que a contenção das despesas obrigatórias poderá integrar o programa econômico de um eventual novo mandato de Lula.

Dívida pública se aproxima do PIB

A discussão ocorre em um momento de crescimento contínuo da dívida pública brasileira, que atingiu R$ 9,2 trilhões em junho e se aproxima do Produto Interno Bruto, estimado em R$ 12,7 trilhões em 2025. O PIB é a soma de todas as riquezas produzidas no país. Esse avanço aumenta o volume de recursos destinados ao pagamento de juros, reduzindo o espaço para investimentos em áreas como saúde, educação, infraestrutura e segurança, além de dificultar a redução da taxa básica de juros da economia.

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A Instituição Fiscal Independente também reforçou os alertas sobre a situação das contas públicas ao projetar que a dívida bruta poderá atingir 115% do PIB até 2036. O órgão considera esse patamar elevado para uma economia emergente e afirma que o atual arcabouço fiscal enfrenta riscos crescentes de sustentabilidade.

Entre os principais fatores apontados pela IFI para o avanço da dívida estão déficits primários sucessivos nos próximos anos, crescimento contínuo das despesas obrigatórias vinculadas ao salário mínimo, aumento dos gastos com Previdência e Benefício de Prestação Continuada e manutenção de juros elevados, que encarecem o custo da dívida pública.

FMI defende redução do endividamento público

As projeções da instituição indicam que a relação entre dívida e PIB deve permanecer em torno de 84,1% em 2026, alcançar aproximadamente 112% em 2032 e atingir cerca de 115% em 2036. Para estabilizar essa trajetória, os cálculos da IFI apontam que o país precisaria gerar um superávit primário equivalente a 2,1% do PIB por ano, cenário considerado difícil antes de 2029.

O Fundo Monetário Internacional também tem defendido a adoção de políticas fiscais capazes de reduzir o endividamento público. Em relatório recente, o organismo afirmou que a política fiscal deve permanecer focada na reconstrução das reservas fiscais e em colocar a dívida pública em uma trajetória firmemente descendente. Segundo o FMI, o crescimento persistente da dívida aumenta a parcela do orçamento destinada ao pagamento de juros, reduz a capacidade de investimento do governo e amplia a vulnerabilidade da economia a choques externos.