Com estratégias que primam pela valorização dos produtos paranaenses, duas redes de supermercados do Estado conseguiram ficar entre as dez maiores do país em faturamento no ano de 2010, pelo ranking da Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

O Condor registrou um crescimentos de 20% em relação a 2009, totalizando R$ 1,7 bilhão e passou de décimo primeiro para décimo lugar na lista. Já o Muffato teve uma expansão de 12,48% no faturamento, chegando a uma cifra de R$ 1,9 bilhões e terminou o ano passado na oitava posição – uma acima do ano anterior. O desempenho dos grupos do Paraná seguiu na mesma direção que as principais redes instaladas no Estado e, mesmo com desafios como aumento nos preços dos alimentos e nos custos para novos investimentos, o setor prevê um crescimento médio entre 6% e 8% neste ano.

O principal pilar de sustentação desse nível de confiança dos empresários supermercadistas em novos índices positivos para o faturamento do setor é o nível de emprego. “O nível de emprego beira 100%. Se de um lado enfrentamos dificuldades para completar os quadros de funcionários, por outro, o consumidor está podendo comprar. E mesmo com as altas nos produtos, a decisão de comprar por alimentos não é abalada com tanta facilidade, porque o poder aquisitivo é bom”, explica o superintendente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras), Valmor Rovaris.

Na avaliação dele, o bom nível de consumo, porém, não será capaz de garantir um retorno para os novos investimentos na mesma velocidade que se está acostumado. “O setor cresce em meio a diversas altas. Do final de 2010 até agora, o salário de ingresso do trabalhador supermercadista foi de R$ 600 para R$ 800 na capital e não conseguimos preencher completamente. Além disso, quem busca investir em Curitiba, enfrenta a valorização imobiliária por conta da escassez de terrenos amplos, com áreas entre 10 mil m² e 20 mil m². Com isso, o empresário precisa estar ciente que ainda há boas oportunidades de negócios, porém, o retorno se dará em médio prazo”, comenta.

Outro fator que deve ser levado em consideração é o grau de maturidade do setor supermercadista. “O nível de exigência dos consumidores curitibanos é, em parte, uma das razões para nossas redes estarem entre as maiores no ranking da Abras, porque todos os mercados precisaram evoluir para atender a clientela. O uso da informática é ostensivo e nossos processos estão à frente das demais regiões no País. Aqui, por exemplo, o bacalhau fica somente na geladeira, enquanto que no Nordeste, essa prática não é comum”, aponta Rovaris.

Margem de lucro menor

Pelo acompanhamento da Abras, na média, a margem de lucro do setor supermercadista caiu de 2,1% para 1,9% de 2009 para 2010. Essa queda de 0,3% corresponde ao aumento dos custos com mão de obra, infraestrutura e, principalmente, com o preço das commodities que pressionam toda a cadeia de abastecimento. “A indústria recebe essas altas e acaba repassando porque está operando, em geral, no limite da capacidade. Sendo assim, se um supermercado demora para aceitar o novo preço fica sem o produto, pois o concorrente passa na frente e fecha a compra”, explica Rovaris. “A estratégia tem sido absorver por algum tempo esses aumentos, mas acaba sendo inevitável o repasse, mesmo apertando as margens”.