A moeda americana encostou ontem nos níveis anteriores aos leilões de compra do Banco Central, em meio à melhora generalizada dos indicadores de risco-país. O dólar também sofreu fortes perdas no mercado internacional. A taxa cambial formada nos últimos negócios foi de R$ 2,725 (valor de venda), em queda de 1,44%. A Bovespa teve movimento financeiro recorde hoje, mesmo fechando o índice Ibovespa em apenas 0,05% de alta. O fechamento em 25.575 pontos proporcionou negócios de R$ 4,882 bilhões.

O quinto leilão de compra de moeda não provocou maiores efeitos sobre a formação dos preços. O volume da compra, relatam operadores, não foi significativo. Uma especulação do mercado, de que o BC voltaria a intervir no período da tarde, não se concretizou.

Fontes do mercado cambial avaliam o quadro como: a) um sinal de que o mercado pede intervenções mais fortes do BC, que estaria comprando em lotes muito pequenos; b) o BC estaria recusando preços acima da faixa de mercado e por isso, não oferece lotes maiores.

Diretor de corretora de câmbio descreve como um jogo de "gato e rato" entre o BC e investidores, que estariam derrubando a cotação para pressionar o banco.

Outro tema que voltou à pauta com força foi a emissão soberana em reais. A viagem do secretário do Tesouro Nacional tirou o assunto de "stand by" nas mesas de câmbio, onde operadores circulam boatos de que a operação já foi montada e trata-se apenas de aguardar a melhor oportunidade de mercado.

Nesse sentido, o lançamento de bônus pelo Banco do Brasil, que captou R$ 200 milhões a 100% do CDI por três anos, teria funcionado como um "balão de ensaio" para a operação da República. O Tesouro Nacional, que divulgou ontem informações sobre a dívida pública, não comentou essa possibilidade.

No início do mês, o governo brasileiro decidiu tomar um empréstimo de US$ 500 milhões por meio da emissão de títulos da dívida externa e surpreendeu alguns analistas, que prorrogaram a captação em reais para janeiro.

A taxa de risco-país, estabilizada em torno dos 414 pontos nas últimas semanas, caía com força no final de tarde, para os 404 pontos, em baixa de 0,98%. A cotação do título da dívida soberana C-Bond subia 0,36% enquanto o Global 40 valorizava 0,94%.

O dólar perdeu valor contra algumas das principais moedas internacionais, numa repercussão ainda do déficit comercial recorde anunciado anteontem (US$ 55,5 bilhões). Contra a moeda japonesa, a taxa caiu de 105,63 para 104,26 ienes; a taxa da libra britânica saltou de US$ 1,9258 para US$ 1,9431 enquanto a cotação do euro voltou ao patamar histórico de US$ 1,3413 ante fechamento de US$ 1,3285 na terça-feira.

Bush diz que apóia moeda forte

O presidente norte-americano, George W. Bush, disse ontem que irá trabalhar com o Congresso para reduzir os déficits comercial e do orçamento dos EUA. Ele afirmou ao mercado financeiro que sua administração apóia um dólar forte.

"A política do meu governo é a de um dólar forte", disse Bush, em encontro na Casa Branca, com o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi. "Vamos encarar essa questão a sério com o Congresso", disse, segundo a agência de notícias Associated Press.

O dólar vem caindo frente ao euro e a outras moedas, como a libra e o iene. Apesar de o secretário do Tesouro dos EUA, John Snow, ter já assegurado que a política dos EUA é a de um dólar forte, ainda não se viu ação do governo para garantir que o dólar mantenha seu valor.

Em seu primeiro mandato, a administração Bush não interveio no mercado nem tentou evitar que o dólar perdesse valor.