O dólar encareceu a ceia de Natal, mas o consumidor em fase de pesquisa de preços já decidiu: vai reduzir o impacto dos aumentos comprando mais artigos nacionais. Em muitos lares, os importados vão marcar presença na mesa apenas como enfeite. Para quem insistir na tradição de frutas secas, carnes finas e bebidas importadas, uma ceia com 12 itens poderá sair por R$ 481,53. É um gasto 217% mais alto que o da ceia só com produtos nacionais, que custa R$ 151,82 nos supermercados.

A variação de 61,6% do dólar no ano respingou também nos preços do peru, tender e lombo suíno, considerados pratos nobres do cardápio brasileiro. Com a alta da ração à base de milho e soja, os preços ficaram de 8% a 15% mais altos que os do ano passado. O impacto foi bem menor que o dos artigos importados, como o bacalhau tipo porto codinho, que subiu de R$ 29 para R$ 44 ? uma alta de 52%. Ou o do azeite, que saltou de R$ 7,50 para R$ 10,90 ? 45% no ano.

Ressabiados com as vendas em queda e prevendo uma retração maior do consumidor nas compras de importados, os supermercados reduziram os estoques para a festa este ano. A Sendas, por exemplo, diminuiu a oferta de castanhas portuguesas de 200 para 140 toneladas (30%). O corte se deveu não só à pressão do dólar mais alto, mas também ao aumento da cotação do produto na zona de produção de US$ 1.300 para US$ 1.700 a tonelada. O reflexo já é visto no preço das castanhas nas lojas: R$ 17,50 o quilo.

? Os consumidores devem preferir a ceia com mais frutas frescas e panetone. Os importados devem virar tira-gosto. ? reconheceu Nelson Sendas, vice-presidente da rede Sendas.

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