São Paulo

  – O dólar comercial fechou ontem em alta de 4,3%, cotado a R$ 3,145 na compra e R$ 3,150 na venda. A segunda-feira foi um dia de poucas notícias e o mesmo mau humor de sexta-feira. O cenário eleitoral continuou gerando desconforto e dúvidas, principalmente no que diz respeito ao apoio dos candidatos à Presidência ao acordo do Brasil com o FMI. As vendas maciças de títulos da dívida pública levaram à disparada do risco-país brasileiro, o que trouxe mais nervosismo ao mercado.

Além das intervenções no mercado à vista, o BC também promoveu leilão de contratos de ?swap? cambial destinados a rolar parte dos US$ 2,5 bilhões que vencem na quinta-feira. A venda dos lotes não foi integral, já que os bancos pediram altas taxas. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar para liquidação em setembro foi cotado no último negócio a R$ 3,143, com alta de 2,21%.

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou ontem em queda de 2,62%, com o Índice Bovespa em 9.723 pontos. O volume de negócios foi de R$ 647,143 milhões. A bolsa brasileira operou em queda durante praticamente todo o dia, influenciada não apenas pelo desempenho negativo dos demais mercados brasileiros, mas também pelas bolsas americanas.

Telemar PN e Petrobras PN, as duas ações mais negociadas da bolsa, tiveram queda de 4,33% e 4,15%, respectivamente. Entre as ações que fazem parte do Ibovespa, as maiores quedas foram de Eletropaulo PN (-9,6%) e Bradesco PN (-6,5%). Já as altas mais significativas foram de Telemig Participações PN (+2,6%) e Tele Leste Celular PN (+2,5%). O risco-país brasileiro se mantém em forte alta. Às 15h30m, o indicador registrava 2.196 pontos-base, com avanço de 9,5%. Pela manhã, o risco subiu mais de 10%. Mesmo com a desaceleração, o risco brasileiro se mantém acima do uruguaio, no terceiro lugar do ranking dos países emergentes

O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse ao deixar o Instituto Rio Branco, no rio de Janeiro, onde fez palestra a alunos e diplomatas, que não há medida adicional em estudo pelo governo para conter a alta do dólar. Segundo ele, o governo está trabalhando no entendimento do acordo que foi firmado com o FMI. “E na contribuição do apoio doméstico que eu tenho certeza que virá ao acordo quando todos perceberem que esse entendimento serve ao país em três dimensões: para lidar com a situação mais turbulenta do momento, assegurar uma transição democrática tranqüila e um primeiro ano da próxima administração também tranqüilo”, disse Malan.

Segundo o ministro, esse processo de entendimento dentro do país está em curso e as manifestações dos diferentes candidatos têm caminhado na direção correta para enfatizar o seu compromisso com o respeito aos contratos internos e externos, bem como acordos internacionais, a preservação da inflação sobre controle e a responsabilidade fiscal. O ministro frisou que o Brasil não tem problemas no seu balanço de pagamento, ressaltando a redução gradativa no déficit em transações correntes e melhoria no saldo da balança comercial.