São Paulo (AG) – O mercado de câmbio deu uma trégua discreta à tensão com o cenário político e o dólar fechou praticamente estável ontem, em baixa de 0,08%, cotado a R$ 2,460 na compra e R$ 2,462 na venda. No final da tarde, os títulos da dívida externa tinham leve baixa e o risco-país brasileiro subiu 0,22%, aos 442 pontos centesimais.

Os investidores reagiram positivamente ao discurso firme do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a favor do combate à corrupção. Na mínima do dia, o dólar chegou a cair 0,89%, a R$ 2,441 na ponta de venda. Mas o cenário político ainda foi forte fator de cautela, já que os investidores acreditam que a crise pela qual passa o governo ainda está longe de um desfecho.

A boataria em torno das denúncias do presidente do PTB, Roberto Jefferson, continuaram a rondar os negócios. A questão é saber se Jefferson tem provas do pagamento do ?mensalão? aos deputados do PP e do PL.

?O dólar também sofreu influências externas. O mercado internacional começou o dia bem, mas houve uma piora à tarde. O dólar americano se valorizou, o que reduziu a baixa por aqui?, disse Hideaki Iha, profissional da corretora Souza Barros.

Hideaki afirma que é consenso no mercado que o episódio político ainda está longe de um desfecho, o que mantém a cautela do investidor. No entanto, ele acredita que dificilmente o dólar terá uma disparada consistente por conta da crise política, já que os fundamentos econômicos continuam os mesmos.

As projeções dos juros negociadas na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) fecharam em baixa, tendo como influências a deflação de 0,25% do IGP-DI de maio e a pausa na pressão sobre o dólar. A uma semana da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o mercado aguarda agora a divulgação do IPCA de maio, o indicador mais importante da semana. É ele a referência para o regime de metas do governo. A taxa Selic é hoje de 19,75% ao ano.

Bovespa

O mercado acionário ensaiou uma recuperação ontem, mas não teve fôlego. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) caiu pelo quarto pregão consecutivo, ao fechar em baixa de 1,30%.

Segundo analistas, faltou sustentação à bolsa paulista, ainda bastante instável por conta da crise política. Pela manhã, o Ibovespa chegou a subir mais de 1%, acompanhando a trégua dos mercados após o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.