O dólar começou a semana em queda de 0,47%, vendido a R$ 3,18. Foi a segunda sessão seguida de baixa. Ao longo do dia, a moeda dos EUA oscilou muito – entre uma cotação míníma R$ 3,17 (queda de 0,81%) e uma máxima de R$ 3,202 (alta de 0,18%). A divisa acumula uma alta de 8,5% no mês e de 9,5% no ano. No último dia 20, o dólar atingiu o maior valor desde 10 de abril de 2003 (R$ 3,214). A mínima do ano foi de R$ 2,79, em 12 de janeiro.

Para o vice-presidente de tesouraria do banco alemão WestLB no Brasil, Flávio Farah, a moeda americana deve oscilar entre R$ 3,15 e R$ 3,20 nesta semana. “Não há espaço para quedas maiores.”

Sem indicadores relevantes nos EUA e no Brasil, os investidores acompanharam de perto o preço do petróleo. Em Nova York, o barril subiu 4,5% e terminou cotado a US$ 41,72. Analistas citaram temores de desabastecimento. Já representantes da Opep (cartel dos países produtores) descartaram elevar a produção imediatamente.

“Hoje o grande vilão do mercado é o preço do petróleo. Há dúvidas sobre o patamar em que o barril vai se consolidar”, disse Farah.

Mais uma companhia de perfil exportador começou a captar recursos no exterior. O grupo siderúrgico Gerdau tenta captar cerca de US$ 100 milhões com prazo de oito anos. A empresa vai securitizar receitas de exportações, em uma operação liderada pelo banco americano JP Morgan.

Na sexta passada, a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) iniciou uma captação de US$ 150 milhões também com prazo de oito anos por meio de uma securitização de exportações, em uma operação liderada pelo Citigroup e pelo BNP Paribas.

Bovespa

A Bovespa subiu mais de 2%, mas o volume financeiro foi fraco pelo segundo pregão consecutivo. O Ibovespa (54 ações mais negociadas) fechou em alta de 2,10%, aos 18.669 pontos. O giro totalizou R$ 792 milhões, bem abaixo da média diária do ano (R$ 1,2 bilhão). No mês, o índice paulista acumula perda de 4,7% e de 16% no ano.

A ação ordinária da Petrobras liderou a lista das maiores altas do índice com alta de 7,5%, cotada a R$ 82,32. Ontem a corretora americana Merrill Lynch reiterou a recomendação de compra para a Petrobras, citando que o papel da estatal representa uma das oportunidades de crescimento mais atraentes do setor.

Também circularam boatos de que a estatal estaria prestes a anunciar um aumento dos combustíveis para ajustar os preços ao novo patamar no mercado internacional. Na semana passada, o presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, condicionou o reajuste dos combustíveis à persistência do preço do petróleo acima de US$ 40. Ontem o barril subiu para US$ 41,72. A estatal informou ontem, por meio de sua assessoria de imprensa, que não está previsto um anúncio de reajuste.

“A alta do petróleo e a queda do risco-Brasil ajudam a Petrobras”, disse o gestor de renda variável da corretora Concórdia, Maurício Gallego.

Na sexta-feira passada, a Petrobras também pagou R$ 5,8 bilhões em dividendos e juros sobre o capital próprio aos seus 350 mil acionistas.

O risco-Brasil, taxa que mede a desconfiança externa no País, recuou 4,71%, aos 708 pontos. Esse indicador serve para calcular o custo de financiamentos e empréstimos tomados por bancos, empresas e governo no exterior. Quanto maior o risco-país, maior o juro a ser pago na hora de captar recursos.