Após três dias de queda, o dólar subiu ontem 0,67% e fechou vendido a R$ 3,163. O principal motivo da alta foi o rebaixamento dos títulos da dívida externa do Brasil pelo banco americano JP Morgan, segundo analistas. No início da manhã, a moeda dos EUA chegou a cair 0,19% para o valor mínimo de R$ 3,133. Nesse preço, a divisa atraiu compradores. “Os importadores correram para fechar contratos de câmbio”, diz o diretor da corretora Vision, Mauro Araújo.

Mas a alegria dos importadores durou pouco. No fim da manhã, o JP Morgan divulgou que recomendou aos clientes uma menor exposição aos títulos de emergentes, como o Brasil, citando que os papéis devem se desvalorizar com uma alta do juro nos EUA.

“O rebaixamento do Brasil contribuiu para a alta do dólar”, afirma o gerente de câmbio da corretora Midas, Almir Fagundes.

No fim da tarde, o risco brasileiro subia mais de 3%, atingindo 710 pontos, depois de ter fechado anteontem abaixo do patamar de 700 pontos pela primeira vez em 20 dias. O C-Bond, principal título da dívida externa renegociada do País, desvalorizava 0,49%.

Os analistas evitam arriscar um patamar para a moeda no curto prazo. Eles alegam que o mercado de câmbio opera ao sabor das especulações sobre o “timing” e a magnitude da alta do juro americano e o impacto da subida do petróleo na inflação.

“O mercado está muito perigoso. As apostas não duram dez minutos. A todo momento, é preciso ficar de olho no noticiário”, afirma Fagundes.

Hoje o dólar pode voltar a subir. Após o término dos negócios, em votação do STF (Supremo Tribunal Federal), a cobrança da contribuição previdenciária dos servidores inativos – principal ponto da reforma da Previdência – foi considerada inconstitucional pela relatora do projeto.

Bovespa

A Bolsa de Valores de São Paulo fechou ontem em alta de 1,11%, movimento financeiro de R$ 1,156 bilhão, em 19.069 pontos.