Embalado pelas firmes altas das Bolsas em Nova York e São Paulo e o recorde de ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED) em junho (de US$ 10,318 bilhões) no País, a taxa de câmbio interrompeu o patamar de R$ 1,85 e fechou no menor nível registrado desde o dia 14 de setembro de 2000, quando encerrou a R$ 1,839.

Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar à vista recuou 0,81% e terminou valendo R$ 1,842. No mercado interbancário, o dólar comercial também fechou a R$ 1,8420, porém com baixa de 0 75%. Mesmo após o leilão de compra de moeda pelo Banco Central próximo ao encerramento dos negócios, a taxa de câmbio caiu ainda mais, acompanhando a renovação das máximas pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

Mais cedo, o Banco Central (BC) informou que o ingresso de IED em junho foi de US$ 10,318 bilhões, o maior valor da história – o último recorde tinha sido alcançado em agosto de 2004, quando ingressaram no País US$ 6,089 bilhões. O número também superou as estimativas de especialistas.

Previsão

Para o economista-chefe da Itaú Corretora, Guilherme da Nóbrega, o resultado surpreendente do IED de junho ajuda a trazer mais pressão de queda para o dólar. Em entrevista ao Broadcast ao Vivo, Nóbrega previu que "vamos ter ainda mais pressão para baixo do dólar. É inevitável". Segundo ele, esse movimento continuará ocorrendo mesmo com as compras feitas pelo BC. "Haja BC", acrescentou. Para ele, o BC não tenta assegurar um certo "piso" para a moeda, que poderá romper R$ 1,80 no curto prazo. Segundo ele, assim como o BC "permitiu" que a moeda caísse abaixo de R$ 2 e R$ 1,90, por exemplo, o mesmo deve acontecer caso ela vá em busca de um novo piso informal abaixo de R$ 1,80.

Mercado de ações

Já as Bolsas norte-americanas e a Bovespa sobem por conta de notícias corporativas sobre fusões. Os destaques foram um acordo no setor de exploração de petróleo da GlobalSantaFe e Transocean anunciando a formação de um negócio de US$ 53 bilhões, e a compra pela Hewlett-Packard da empresa de software Opsware por US$ 1,6 bilhão. Os balanços do segundo trimestre também estão favoráveis, com os fortes resultados das farmacêuticas Schering-Plough e Merck.