O otimismo retornou ao mercado ontem. O dólar comercial fechou ontem em queda de 1,25%, cotado a R$ 3,54 na compra e R$ 3,55 na venda. Com isso, terminou a semana com desvalorização 1,39%. No mês, acumula desvalorização de 5,59%. O recuo do dólar só não foi mais expressivo por causa do noticiário externo, já que a rolagem de 35% de uma dívida cambial que vence na próxima semana, aguardada com ansiedade, foi bem recebida por investidores. A Bolsa fechou em alta de 0,62% com o Ibovespa marcando 9.860 pontos e movimento financeiro de R$ 416 milhões.

“O dólar já abriu em queda, mas poderia ter caído ainda mais após o leilão do BC, que foi um sucesso, não fosse uma demanda repentina (por dólares) no fim do dia”, afirmou um corretor de São Paulo, acrescentando que comentários reacenderam o temor de um conflito no Iraque.

O Banco Central vendeu ontem US$ 637,8 milhões em contratos de swap cambial, garantindo a substituição de 35% de US$ 1,8 bilhão em títulos atrelados ao câmbio que vencem no dia 14 e alongando os prazos da dívida.

Segundo operadores, a notícia teria impacto bastante positivo no câmbio e poderia levá-lo a recuar abaixo da marca de R$ 3,50, mas o efeito foi frustrado. Os investidores ainda aguardam a divulgação dos integrantes da equipe econômica do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva. Mesmo assim, a percepção é de que o BC conseguirá substituir tranquilamente o restante dos papéis, como ocorreu com o vencimento do dia 1.º, quando as rolagens foram realizadas após o segundo turno das eleições.

Pouco antes do resultado desse leilão, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou a aprovação de uma resolução que daria ao Iraque uma última chance para acabar com armas de destruição em massa ?caso contrário, enfrentaria consequencias sérias.

O diretor da Corretora Souza Barros, Carlos Alberto Abdala, acredita que “o investidor precisa apenas criar oscilação para garantir lucros e o mercado é assim. Se não tem notícias que criem essa oscilação, ele mesmo cria.”

De acordo com alguns operadores, o volume de negócios foi limitado e, na parte da tarde, as tesourarias dos bancos reduziram as vendas de dólares no mercado. A moeda norte-americana encerrou a manhã na mínima do dia, a R$ 3,515 na venda. O mercado já se preparava para um final de semana “prolongado”, em função de um feriado nos Estados Unidos na segunda-feira.