O dólar só não devolveu toda a alta especulativa da quarta-feira por causa da piora no mercado externo, hoje (8) à tarde. A moeda americana fechou em queda de 1,25% no mercado à vista, cotada a R$ 3,55 – abaixo da taxa de encerramento de quarta-feira, a R$ 3,655, mas ainda acima do última cotação de terça, a R$ 3,525.

A permissão dada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas aos Estados Unidos para que empreendam um ataque contra o Iraque, caso o país não cumpra os termos do acordo de desarmamento, deram fôlego ao movimento de depreciação do dólar ante outras moedas estrangeiras. Houve também alta nas cotações do petróleo, queda das Bolsas em Nova York e, no que toca ao Brasil, realização de lucros com C-Bond, o título da dívida externa brasileira mais negociado.

Pela manhã, o dólar chegou a cair até 2,5%, para R$ 3 505, cotação que expurgava todo o ganho exagerado da quarta-feira, motivado pela confusão em torno da dívida da Prefeitura paulistana com a União. Essa queda forte foi sustentada pelo fluxo comercial positivo e a fraca demanda no mercado de câmbio, já que havia expectativas em torno do leilão, no horário do almoço, de títulos e contratos de swap cambial, que vencem no próximo dia 14. Também havia expectativa quanto à decisão da Conselho de Segurança, que saiu no início da tarde.

O leilão relativo à primeira parcela da rolagem do vencimento de US$ 1,9 bilhão em títulos e contratos de swap cambial na próxima quinta-feira foi considerado positivo pelo mercado. Na operação, o Banco Central vendeu 70% da oferta do dia, de US$ 900 milhões, correspondente a 34,8% do vencimento total.

As taxas pagas pelo BC às instituições financeiras no leilão ainda foram consideradas elevadas – o juro nominal oscilou de 24,05% a 34,33% ao ano, dependendo do vencimento do contrato. No entanto, a avaliação é que ainda há tempo para o BC rolar integralmente esse vencimento, no início da próxima semana  e também tentar reduzir o custo da operação.

No caso dos C-Bond, que havia subido, pela manhã, até 59 25 centavos de dólar, com alta de 2,38%, no fim da tarde, o título era negociado a 58,50 centavos, com um ganho de 0,65%, refletindo a relativa reversão de expectativas com a possibilidade de guerra.