O dólar abriu o pregão viva-voz da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) em baixa de 0,24%, cotado a R$ 1,903 nos contratos de liquidação à vista. O mercado internacional está mostrando comportamento cauteloso na manhã desta quinta-feira ainda em reflexo dos temores com a crise de crédito que, hoje, atinge principalmente os negócios com moedas.

O dólar segue perdendo fôlego perante o euro no mercado global de moedas já que as apostas de que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) cortará o juro básico dos EUA em 0,5 ponto porcentual na próxima semana continuam ganhando força.

No cenário doméstico, o mercado, que torcia por uma ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central neutra, recebeu no início da manhã um documento fortemente conservador. Em determinado ponto, o texto elaborado pelos diretores do BC decidiu reduzir de 0,5 ponto porcentual para 0,25 ponto o corte da Selic, na semana passada, afirma que a interrupção na flexibilização da política monetária chegou a ser considerada e que diversos fatores respaldariam uma decisão como essa. O documento afirma ainda que a demanda aumentou inclusive em setores que não sofrem concorrência externa e que essa elevação do consumo pode levar as altas de preços do atacado para o consumidor. A ata afirma ainda que a contribuição positiva do setor externo tornou-se menos efetiva.

Claramente, o Copom sinaliza uma interrupção da queda do juro e o assunto, que tem sido praticamente ignorado pelo mercado de câmbio, até o momento, pode provocar reações. Principalmente se os efeitos sobre os demais mercados domésticos forem fortes. Vale apontar, no entanto, que são possíveis reações opostas nas cotações do dólar, a depender da interpretação que mais pesar nos negócios. Uma das leituras, negativa, seria de que a economia nacional teve seu risco aumentado e que as estimativas de crescimento para o ano que vem estão em risco. Nesse caso, o dólar reagiria em alta. Uma segunda avaliação pode priorizar o entendimento de que, com a taxa de juros mais atrativa, o ingresso de recursos internacionais tende a ser maior e, portanto, a taxa do dólar depreciaria. A conferir para onde o olhar do mercado vai se dirigir.