São Paulo – O dólar caiu 1,56% e fechou a R$ 2,9620, abaixo dos R$3,00 pela primeira vez desde 8 de agosto de 2002. O fator imediato para o rompimento da barreira dos R$ 3,00 foi o fato de os operadores terem concluído que o Banco Central não vai promover intervenção no câmbio. Com o fechamento des ontem, o real já valorizou 13,23% no mês e 19,68% ao ano.

A Bolsa de Valores de São Paulo retomou ontem suas operações semanais apresentando forte alta de 2,77%, com o índice Bovespa, dos principais papéis, situando-se em 12.462 pontos. O risco-Brasil segue abaixo da marca de 900 pontos e volta a cair, a 855 pontos, 1,72% abaixo do nível de sexta-feira. Isso significa que os papéis brasileiros pagam 8,55 pontos percentuais a mais do que os títulos do Tesouro americano, considerados de risco zero. O risco-país é medido pelo banco J.P. Morgan com base nos títulos das dívidas dos países considerados “emergentes”. É o principal termômetro para medir a desconfiança de investidores com um país.

O governo parece dividido com relação à crescente valorização do real entre os que defendem uma intervenção, visando a não prejudicar as exportações brasileiras, e os que preferem que o próprio mercado defina os parâmetros. Mas, sem alarde, o Banco Central começou ontem a intervir no câmbio para deter a queda do dólar. Depois de uma discussão pública na alta cúpula do governo na última semana, a respeito da possibilidade de a autoridade monetária atuar no câmbio para impedir que a valorização do real prejudique as exportações, o BC anunciou que não vai rolar US$ 429 milhões em linhas externas que vencem no dia 5. O saldo da balança comercial brasileira no ano, até o dia 27 de abril, é um superávit de US$ 5,248 bilhões. Esse resultado é 255,79% superior ao obtido no período janeiro-abril de 2002, quando a balança teve um superávit de US$ 1,475 bilhão. Os dados foram divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, e revelam que as exportações brasileiras estão, em média, 26,5% superiores que as registradas em 2002, enquanto as importações apresentam crescimento de apenas 2,6%. As vendas externas totalizam, no ano, US$ 19,919 bilhões, com média diária de US$ 255,4 milhões. As importações somam, no período, US$ 14,671 bilhões, com média diária de US$ 188,1 milhões.