Economia

Dividendos de estatais caem 58% e reduzem receita do governo

Cúpula da Câmara dos Deputados no Congresso Nacional, com os prédios da Esplanada dos Ministérios
Cúpula da Câmara dos Deputados no Congresso Nacional, com os prédios da Esplanada dos Ministérios. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil.

Os dividendos pagos pelas empresas estatais federais ao Tesouro Nacional caíram 58% nos sete primeiros meses de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025, já descontada a inflação. A receita no período foi de R$ 10,5 bilhões, o menor resultado desde 2020. As informações são da Gazeta do Povo.

Os bancos públicos foram os principais responsáveis pela queda. O BNDES, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil respondem por cerca de R$ 11 bilhões da redução, o equivalente a aproximadamente 76% da queda observada. O aumento da inadimplência e do custo do crédito reduziu as margens das instituições e, consequentemente, o lucro disponível para distribuição.

O resultado está bem abaixo do previsto pelo governo federal. A equipe econômica esperava obter R$ 55,5 bilhões em dividendos neste ano, mas o montante arrecadado representa apenas 18,9% da meta. A queda reduz uma fonte importante de receita para o governo, que não pode retirar mais dinheiro das estatais para cobrir o déficit.

O cenário ocorre em meio a uma sequência de déficits das estatais federais desde o início da gestão Lula. No atual mandato, há déficits acumulados: R$ 656 milhões em 2023, R$ 6,73 bilhões em 2024 e R$ 5,13 bilhões em 2025. Em 2026, o déficit acumulado nos cinco meses do ano já chegava a R$ 5,96 bilhões, totalizando um rombo de R$ 18,48 bilhões entre janeiro de 2023 e maio deste ano.

Sara Paixão, analista de macroeconomia da InvestSmart, explica que o cenário de maior endividamento das famílias e aumento da inadimplência pressiona os resultados do sistema financeiro.

O governo não pode determinar livremente quanto cada estatal deve repassar aos cofres públicos. Há regras societárias e limites financeiros que precisam ser respeitados. A legislação determina um dividendo mínimo obrigatório equivalente a 25% do lucro líquido ajustado do exercício.

Segundo Thiago Quintanilha, sócio de contencioso estratégico e arbitragem do CFF Advogados, cada estatal deve ter sua própria política de distribuição de dividendos, considerando também o interesse público que justificou sua criação. O dividendo obrigatório pode deixar de ser pago quando a administração demonstrar que a distribuição é incompatível com a situação financeira da empresa.

Na Petrobras, os R$ 17,4 bilhões em dividendos anunciados em agosto não irão integralmente para o Tesouro. A União receberá R$ 6,2 bilhões, considerando suas participações diretas e indiretas na companhia.

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