A dívida pública brasileira subiu de R$ 10,6 trilhões para R$ 10,8 trilhões em junho de 2026, alcançando 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB). O aumento de 0,9 ponto percentual foi puxado pela acumulação de juros e pela emissão de novos títulos públicos, mas foi parcialmente compensado pelo crescimento da economia. As informações são da Gazeta do Povo, com base em relatório do Banco Central divulgado nesta sexta-feira (31).
A estatística engloba o governo federal, o INSS, os estados e os municípios. O indicador funciona como um termômetro da capacidade do país de pagar suas contas e influencia a confiança de investidores no Brasil. Segundo o BC, a redução da taxa Selic é a medida com maior potencial para aliviar o crescimento da dívida.
A dívida líquida, que desconta os créditos do setor público, também cresceu, mas em ritmo menor: subiu 0,6 ponto percentual e chegou a R$ 9 trilhões, ou 68,5% do PIB.
Juros saltam e déficit chega a 10% do PIB
O gasto com juros da dívida saltou de R$ 61 bilhões em junho de 2025 para R$ 110,7 bilhões no mesmo mês deste ano. Com isso, o setor público acumula um déficit de R$ 1,3 trilhão, equivalente a 10% do PIB.
Os números confirmam a piora já antecipada pelo Tesouro Nacional. A União registrou déficit primário de R$ 47,2 bilhões em junho, mas o acumulado em 12 meses chega a R$ 139,7 bilhões. Estados e municípios, por outro lado, apresentam superávit de R$ 22,1 bilhões desde o início do ano.
Governo libera recursos e mantém bloqueios
Em meio à crise fiscal e ao ano eleitoral, o governo federal tem lançado programas e benefícios que elevam as despesas. Recentemente, houve desbloqueio de R$ 5,7 bilhões no Orçamento, liberando R$ 1,2 bilhão em emendas parlamentares. Ao mesmo tempo, o Ministério da Saúde mantém R$ 1 bilhão bloqueado.
