Economia

Dívida pública pode chegar a 90% do PIB até 2030, projeta governo

Imagem mostra um momento de sessão no STF
Imagem mostra um momento de sessão no STF. Foto: Gustavo Moreno / STF

O governo federal incluiu pela primeira vez em documentos oficiais a projeção de que a dívida pública pode atingir 90% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2030. A marca consta no Orçamento de 2027 e no Anexo de Riscos Fiscais enviados ao Congresso Nacional em 31 de agosto. No fim de 2022, antes do início do terceiro mandato do presidente Lula, a dívida bruta correspondia a 71,7% do PIB. Em julho de 2026, já havia subido para 82,5%, segundo o Banco Central. As informações são da Gazeta do Povo.

Se as projeções se confirmarem, o endividamento poderá avançar mais de 15 pontos percentuais em relação ao nível do fim de 2022 até o pico previsto. O cenário mais positivo do governo prevê que a dívida atinja seu teto em 2028, em 88,4% do PIB, e passe a recuar depois disso. Já no cenário em que as receitas ficam abaixo do previsto, a dívida ultrapassaria 90% já em 2029, chegando a 90,6%, e atingiria o pico de 91,1% em 2031.

O governo também trabalha com um cenário extremo que prevê aumento de um ponto percentual na Selic a cada ano até 2036, acompanhado de retração real anual de 1% do PIB. Nesse caso, a dívida chegaria a 91,2% do PIB em 2027, ultrapassaria 100% no início de 2030 e alcançaria 117% do PIB em 2036.

Mercado projeta deterioração mais rápida das contas públicas

O mercado financeiro trabalha com uma piora mais acelerada. Segundo o boletim Focus, a dívida bruta deve atingir 90% do PIB já em 2027. Em janeiro de 2026, a previsão era de que isso ocorresse apenas em 2029, uma antecipação de dois anos que mostra a piora das expectativas. A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão do Senado que acompanha as contas públicas, projeta 86,4% para 2027.

A IFI destaca três fatores que dificultam a estabilização do endividamento: o custo maior do financiamento, um círculo vicioso entre juros e dívida e uma parcela cada vez maior do endividamento atrelada à Selic. Nos 12 meses até julho de 2026, somente os juros e as novas emissões de títulos elevaram a dívida em 10,5 pontos percentuais do PIB, enquanto o crescimento econômico conseguiu reduzir a relação em 5,2 pontos percentuais.

Governo prevê crescimento maior que mercado e IFI

O governo adotou premissas de crescimento mais elevadas que as do mercado ao elaborar o Orçamento. O projeto de lei orçamentária de 2027 projeta crescimento real de 2,5% do PIB em 2027. A IFI estima 1,8%, enquanto o mercado aponta 1,5%. O Orçamento estabelece uma meta de resultado primário de R$ 73,2 bilhões, com tolerância de R$ 36,6 bilhões para baixo.

A IFI, porém, calcula um déficit primário efetivo de R$ 86,1 bilhões. Para que o governo consiga cumprir o limite inferior da meta nesse cenário, seria necessário um bloqueio de R$ 35,7 bilhões em despesas discricionárias, que são os gastos sobre os quais o Executivo tem maior liberdade para decidir.

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