Brasília (AE) – A dívida pública federal em títulos atingiu a marca de R$ 1,081 trilhão em novembro, segundo dados divulgados ontem pelo Tesouro Nacional e o Banco Central. A elevação de R$ 18,63 bilhões, na comparação com outubro, ocorreu porque a emissão de papéis superou os resgates em R$ 6,6 bilhões. Além disso, R$ 12,03 bilhões em juros incidentes sobre a dívida foram incorporados ao estoque.

Apesar do maior endividamento, a estrutura e composição da dívida tornou-se mais próxima dos objetivos do governo. A participação de papéis com correção prefixada, considerados menos vulneráveis às variações de humor do mercado, chegou a 35,16% do total, o maior nível desde janeiro de 1999, quando começa a série do Tesouro e do Banco Central.

Segundo o coordenador da Dívida Pública no Tesouro Nacional, Ronnie Tavares, os investidores estão deixando de aplicar naqueles papéis que são corrigidos conforme a variação da taxa de juros Selic (pós-fixados) e migrando para papéis que têm a taxa de remuneração fixada na hora do leilão (prefixados) e aqueles corrigidos pelos índices de inflação. Em novembro, os títulos pós-fixados, que já foram 67,68% da dívida em abril de 2003, chegaram a 38,92% do estoque.

Tavares disse que o Tesouro tem oferecido papéis pós-fixados em seus leilões, mas a demanda tem sido fraca. Assim o volume de títulos desse tipo está abaixo da meta estabelecida no Plano Anual de Financiamento (PAF), que prevê um intervalo entre 39% a 48% ao final deste ano. ?Não se espera que a participação dos pós-fixados fique dentro da banda neste ano, apesar de o Tesouro ter trabalhado para que fossem respeitados os limites?, disse Tavares. Embora fora da meta, a queda na participação dos pós-fixados é positiva porque esses são os papéis preferidos em momentos de insegurança quanto aos rumos da economia.

Outro sinal positivo é o prazo de vencimento dos papéis, que tornou-se mais longo. ?Novembro foi um mês muito tranqüilo, do ponto de vista do cenário econômico, o que levou ao alongamento da aplicação de recursos dos investidores?, disse Tavares. O prazo médio do estoque da dívida pública mobiliária aumentou de 30,27 meses em outubro para 30,96 meses em novembro. Essa elevação é decorrente do aumento do prazo médio das emissões de títulos, que passou de 28,70 meses em outubro para 34,37 meses em novembro.

Além disso, a parcela de títulos públicos federais a vencer em até 12 meses diminuiu de 37,8% em outubro para 34,9% em novembro. Com isso, pela primeira vez no ano esse porcentual entrou dentro do intervalo estabelecido pelo PAF para 2006, de 31% a 36%.