Economia

Distrito Federal cria comissão para recuperar perdas do BRB no caso Master

Fachada do Banco Master, localizado na rua Elvira Ferraz em Itaim Bibi
Fachada do Banco Master, localizado na rua Elvira Ferraz em Itaim Bibi. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil.

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), criou uma comissão para recuperar ativos e estimar os danos causados ao Banco de Brasília (BRB) pelo envolvimento com a fraude do Banco Master. O decreto foi publicado nesta terça-feira (15) no Diário Oficial do Distrito Federal. As informações são da Gazeta do Povo.

A comissão funcionará dentro da Procuradoria-Geral do Distrito Federal e será presidida pela chefe do órgão, Diana de Almeida Ramos. Também integram o grupo Valdivino José de Oliveira, secretário de Economia do DF, os procuradores Valter Bruno Gonzaga e João Paulino de Oliveira Neto, além de Marcus Vinícius de Carvalho Teles, empregado do BRB.

Diana deve convocar a primeira reunião em até cinco dias. A partir daí, o grupo vai mensurar os danos e reunir informações sobre valores, bens e direitos que podem ser recuperados. O prazo inicial é de 30 dias, mas pode ser prorrogado pela procuradora-geral sem limite definido no decreto.

Comissão vai negociar acordos e enviar propostas ao STF

A comissão receberá e negociará propostas de acordo com pessoas ou empresas interessadas. Serão preparados acordos, termos de compromisso e outros documentos necessários, que serão submetidos à governadora. Toda a documentação ficará sob sigilo.

Ao final, as composições irão ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde tramitam tanto os processos do caso Master quanto a ação que, sob relatoria de Luiz Fux, conduz a recuperação do BRB.

BRB está no centro do escândalo do Master

O banco estatal de Brasília faz parte das apurações da Operação Compliance Zero desde a primeira fase. Em meados de 2024, o BRB, ainda presidido por Paulo Henrique Costa, negociou com a instituição de Daniel Vorcaro a aquisição de carteiras de crédito. Houve negociação de ativos sem valor para justificar uma transferência de R$ 12 bilhões do banco público à instituição privada por meio da Tirreno, empresa que a Polícia Federal (PF) considera de fachada.

No primeiro trimestre de 2025, houve tratativa formal para adquirir cerca de 58% da instituição de Vorcaro por R$ 2 bilhões. Em setembro, o Banco Central (BC) vetou a operação por risco de que o BRB assumisse dívidas desconhecidas, comprometendo os caixas da estatal.

De acordo com as investigações, Paulo Henrique Costa teria desconsiderado alertas técnicos do BRB para dar continuidade às transações. Em troca, a PF afirma que ele teria recebido seis imóveis de luxo avaliados em R$ 146 milhões. A propina foi disfarçada com operações envolvendo diferentes fundos do ecossistema de Vorcaro.

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