Economia

Dino manda PF investigar emendas Pix com suspeita de desvio

Pessoa aproximando um smartphone da tela de uma maquininha de cartão sobre um balcão de madeira.
Consumidor realiza pagamento por aproximação utilizando o smartphone em maquininha de cartão. Foto: Depositphotos.

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (7) que a Polícia Federal investigue possíveis crimes relacionados às emendas Pix. A decisão foi tomada após um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) apontar suspeitas de irregularidades que somam R$ 55,4 milhões em prejuízos aos cofres públicos. As informações são da Gazeta do Povo.

As emendas Pix foram criadas em 2019 e permitem a transferência direta de recursos indicados por parlamentares para estados e municípios, sem necessidade de convênios ou projetos prévios. O modelo se tornou alvo de críticas pela dificuldade de fiscalização.

O TCU analisou 100 transferências especiais destinadas a 74 entes federativos entre 2020 e 2024, abrangendo R$ 198,1 milhões em recursos públicos. O relatório técnico foi enviado ao STF no final de julho e demonstrou a continuidade de falhas na fiscalização das transferências.

TCU identifica irregularidades em recursos públicos

As principais irregularidades identificadas pelo TCU foram: R$ 26,3 milhões movimentados em contas inadequadas; R$ 14,9 milhões em pagamentos sem comprovação ou fora da finalidade prevista; R$ 14,1 milhões em prejuízo por falhas na execução de obras e serviços, incluindo superfaturamento e contratos não executados; e fraudes em licitações, com indícios de processos forjados e contratação de empresas consideradas inidôneas.

A decisão também destaca problemas estruturais na plataforma Transferegov.br, utilizada para registrar a execução das emendas. Segundo Dino, o sistema permite a aceitação de informações genéricas no plano de trabalho, alteração irrestrita dos objetos e valores, e saldos bancários defasados.

Deputado petista é alvo de apuração

O ministro determinou a abertura de uma apuração envolvendo o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), que teria utilizado recursos de suas emendas em benefício de outro estado. A representação ao TCU foi apresentada pelo deputado Gustavo Gayer (PL-GO) e aponta suspeitas sobre recursos encaminhados irregularmente para a aquisição de alimentos pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Dino concedeu prazo de dez dias para que Lindbergh Farias e a Câmara dos Deputados apresentem esclarecimentos sobre o caso. O parlamentar ainda não se pronunciou sobre a representação.

O ministro também determinou que o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos explique, em até dez dias, as falhas de rastreabilidade identificadas no Transferegov.br. A Controladoria-Geral da União deverá prestar informações sobre auditorias envolvendo equipamentos públicos e emendas destinadas ao terceiro setor.

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