Quanto custa morrer em Curitiba? Os valores dos serviços funerários variam desde custo zero para indigentes, até cifras que não são contempladas pela tabela do Serviço Funerário Municipal de Curitiba (SFM), órgão responsável pela liberação dos corpos e sepultamento dentro do município.

No caso de indigentes e desconhecidos, as urnas mortuárias (caixões) são classificadas pela numeração de 1 a 4 e não têm custo. Os caixões pagos são divididos entre os subsidiados, de 5 a 8 que custam de R$ 229,09 a R$ 849,11, e os números de 9 a 13, que têm preços que variam de R$ 1.315,14 a R$ 5.963,86.

De acordo com a diretora do Departamento de Serviços Especiais da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Patrícia Rocha Carneiro, o valor das urnas inclui a preparação simples do corpo (assepsia, tamponamento e colocação de vestimenta fornecida pela família), transporte dentro dos limites de Curitiba, montagem de velório com suporte para urna, castiçais, velas e livro de presença.

“Ao procurar o SFM, o responsável pelo corpo precisa preencher a Ficha de Acompanhamento Funeral (FAF)”, orienta. É nessa etapa que ocorre a determinação da funerária que irá prestar o atendimento. “A escolha não é por rodízio, se dá de forma aleatória por um sistema randômico desenvolvido pelo Instituto Curitiba Informática (ICI)”, esclarece.

A escolha do caixão pode ser feita no próprio mostruário do SFM. Passando para as opções disponibilizadas pelo mercado do luto e serviços extras como o de tanatopraxia (preparação do corpo para evitar mau cheiro ou vazamento), que varia de R$ 942 a R$ 2.900,00, as despesas vão subindo. Isso somado à compra de um terreno no cemitério (os municipais não têm taxa de manutenção, mas têm filas de espera) elevam para entre R$ 5 mil e R$ 10 mil o desembolso com um funeral.

As gavetas para sepultamentos de carentes e indigentes têm custo de R$ 66,48, porém o prazo de retirada dos restos mortais é de três anos. A família que desejar transladar os restos mortais deve comparecer à Divisão de Cemitérios. Não há cobrança de abertura e exumação.

Paroquiais

Os preços dos cemitérios vinculados a paróquias tendem a ser menores, mas não há vagas disponíveis. A Paróquia São Marcos, por exemplo, possui 2,3 mil gavetas e 600 túmulos. Os valores variam de R$ 200 a R$ 380, e a taxa anual de manutenção é de R$ 60 para gavetas e R$ 90 para túmulos. “Há uma fila de espera de 70 pessoas por um espaço, mas menos de dez pessoas por ano perdem a concessão por falta de pagamento da taxa anual”, informa o secretário do Cemitério da Paróquia, Wagner Nivaldo Gonçalves.

Planos funerários são irregulares

Tamanha despesa se tornou o principal argumento de venda das empresas que comercializam os planos funerais, alvo da Justiça no início do mês, quando a 1.ª Vara da Fazenda Pública, considerou nulos os contratos estabelecidos entre clientes e três empresas, devido à falta de alvará específico para o tipo de atividade e por confrontar com o serviço funerário exclusivo das permissionárias. “Desde que a sentença saiu, os atendimentos envolvendo os planos funerários se multiplicaram”, conta a advogada do Departamento Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-PR), Cila Santos.

Ela ressalta que dentro do entendimento do Procon-PR, os planos oferecidos por empresas que não são concessionárias dos serviços funerários não poderiam ser comercializados. “De qualquer forma o consumidor está resguardado porque está contratando um produto que deverá ser entregue, do contrário, deve acionar o Procon. Mas o ideal é pedir o cancelamento do contrato e o ,ressarcimento do que foi pago”, aponta.

O diretor da Luto Curitiba Flávio Mildemberg contesta esse tratamento. “Estamos há 23 anos no mercado e o alvará para funcionamento existe só que está bloqueado na prefeitura. Além disso, não fazemos o serviço funerário das permissionárias, apenas viabilizamos o acesso a um funeral digno por meio de um plano”, defende. Segundo ele, 70% dos funerais realizados por mês na cidade são viabilizados por planos funerais (comercializados por valores a partir de R$ 29 mensais).

Virtual

Um projeto de lei que obriga os cemitérios de Curitiba oferecerem um serviço de “velório virtual” começou a tramitar na segunda-feira na Câmara Municipal. Segundo o vereador Chico do Uberaba, autor da proposta, o objetivo do serviço é transmitir pela internet imagens captadas em velórios. O serviço seria oferecido às famílias como forma de permitir que parentes e amigos que não possam estar presentes no funeral consigam acompanhar a cerimônia. A captação das imagens e o acesso a elas só seriam permitidos com a autorização da família. “Imagine que você está em outro país ou no hospital. O velório virtual vai permitir que você esteja presente”, o autor.