A importação de produtos brasileiros custará mais à Rússia após a desvalorização do rublo, mas a falta de opção entre outros fornecedores no resto do mundo deve fazer com que o país mantenha o fluxo de encomendas, avaliou a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). A entidade não afasta a possibilidade de que a turbulência na economia russa afete as exportações do Brasil, mas, diante do embargo do governo local à importação de produtos agropecuários dos Estados Unidos e Europa, não computa eventual redução na balança comercial brasileira de 2015, cuja previsão foi divulgada nesta quarta-feira, 17.

“Os problemas na Rússia podem afetar as nossas exportações, mas são só expectativas por enquanto. A Venezuela, por exemplo, continua importando do Brasil, continua pagando, apesar de todos os problemas na economia”, citou José Augusto de Castro, presidente da AEB. “Hoje, as importações da Rússia estão altas, concentradas no Brasil, por causa do embargo às compras dos Estados Unidos e Europa”, acrescentou.

A AEB informa que, de janeiro a novembro, as exportações brasileiras para a Rússia totalizaram US$ 3,5 bilhões. No mesmo período de 2013, as exportações brasileiras para o país eram de US$ 2,596 bilhões. Houve aumento na carne bovina, que passou de US$ 1,07 bilhão de janeiro a novembro de 2013 para US$ 1,235 bilhão de janeiro a novembro de 2014; na carne suína, de US$ 339 milhões para US$ 737 milhões no período; na soja, que saiu do zero em 2013 para exportações de US$ 266 milhões em 2014; e pedaços de frango congelados, de US$ 131 milhões para US$ 290 milhões.

Por outro lado, as exportações brasileiras de açúcar para os russos recuaram de US$ 467 milhões de janeiro a novembro de 2013 para US$ 439 milhões no mesmo período de 2014, mas por conta da queda nos preços. “Diminuiu, mas é preço, porque em quantidade exportou-se mais açúcar do que ano passado”, explicou Castro.