Publicações de influenciadores, políticos e empresários incentivando a demissão de funcionários por causa da escolha eleitoral nas eleições presidenciais de 2026 levantam questões econômicas, morais e jurídicas. A prática de usar a preferência política como critério para contratações e dispensas contraria princípios de eficiência no mercado e pode configurar discriminação. As informações são da Gazeta do Povo.

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Especialistas apontam que adotar a intenção de voto como parâmetro profissional prejudica a qualidade dos serviços prestados. Milton Friedman, em Capitalismo e Liberdade, destacou que empresários que discriminam por motivos alheios à produtividade arcam com custos dessa decisão, enquanto o mercado competitivo penaliza essa escolha. A seleção baseada em critério político, e não em competência, afeta a eficiência econômica e induz candidatos a omitirem ou mentirem sobre suas preferências eleitorais.

Samer Agi, ex-juiz do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios e empresário, declarou ser absolutamente contra demissões motivadas por ideologia política. Ele afirmou já ter tido excelentes funcionários e sócios de diferentes correntes ideológicas.

Aspectos morais e jurídicos da discriminação por voto

Do ponto de vista moral, a tradição aristotélica critica a prática. Tomás de Aquino, na Suma Teológica, classificou a acepção de pessoas como vício contrário à justiça, cometido quando alguém recebe cargo por razão estranha ao que o torna digno. O filósofo Alasdair MacIntyre, em Depois da Virtude, distingue bens internos de uma prática, como excelência no ofício, dos bens externos, como poder e prestígio. Segundo ele, uma prática se corrompe quando a instituição privilegia bens externos em detrimento dos internos.

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A Constituição estabelece, no artigo 5º, inciso VIII, que ninguém será privado de direitos por motivo de convicção política. Embora não exista lei específica sobre o tema, a Justiça do Trabalho tem tratado dispensas motivadas por convicções políticas como discriminatórias.

Contradições estratégicas e efeitos sociais

O cruzamento de resultados do TSE com dados do Caged sugere que profissionais contratados durante determinado governo tendem a creditar melhores oportunidades de trabalho ao governo, não ao empregador. Pesquisas em psicologia política mostram que opiniões políticas não são fixas e podem se transformar conforme mudam experiências, valores e ambiente social. Estudos do Rooney Center for the Study of American Democracy, da Universidade de Notre Dame, indicam que o ambiente profissional contribui para revisão de opiniões a partir da exposição a diferentes argumentos sobre economia, mérito e responsabilidade.

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A demissão por voto interrompe essa convivência e gera efeito rebote, com aumento da intolerância. Um funcionário dispensado por sua escolha eleitoral dificilmente mudará de posição e, acolhido por seu grupo, tenderá a fortalecer suas convicções. O resultado é mais divisão e distanciamento, contrariando o princípio aristotélico de que a cidade se forma da cooperação entre pessoas diferentes, não da uniformidade.