O mercado externo começou a melhorar para os produtos industrializados brasileiros, que sofrem com a queda na rentabilidade provocada pelo câmbio. Entre julho e setembro, o indicador de nível de demanda externa apurado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) subiu quase 22% e deu uma injeção de otimismo nos fabricantes de celulose, produtos químicos e metalurgia.

Esses três setores, além da indústria mecânica e de material de transporte, responderam por mais de 90% do aumento da demanda externa que foi captada pelas indústrias.

“Essa mudança de rota da procura externa pelos industrializados, especialmente os produtos intermediários, reflete os primeiros sinais de recuperação da economia mundial, depois do ajuste de estoques”, afirma o coordenador da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação da FGV, Aloisio Campelo.

Ele ressalta que a melhora na procura aconteceu apesar da valorização do real em relação dólar, que foi de 9,76% no terceiro trimestre. A pesquisa da FGV consulta mensalmente 1.125 indústrias.

Dados dessazonalizados das exportações de setembro, elaborados pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), mostram que as vendas de manufaturados cresceram 1,7%, após terem aumentado 3,9% em agosto.

Segundo o Iedi, é uma “possível indicação de que a retomada da economia mundial está ajudando as vendas externas de manufaturas a recuperar em parte o grande declínio que tiveram após a crise”.