Foto: Arquivo/Agência Brasil

Hélio Costa, das Comunicações: decisão será do presidente Lula.

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, anunciou ontem que uma comitiva de ministros brasileiros, incluindo ele, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, fará uma viagem ao Japão e à Coréia para negociar a instalação no Brasil de fábricas de semicondutores e de televisores com tela de cristal líquido (LCD). A viagem deverá ocorrer na próxima semana ou na primeira semana de abril e os encontros serão com representantes dos governos e de indústrias.

No Japão, haverá conversas com executivos da Toshiba, Sony, Panasonic e NEC. Na Coréia, com dirigentes da Samsung. Antes da viagem, na terça-feira, o ministro se reúne com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar do assunto, que vem sendo discutido no processo de escolha do padrão de TV digital a ser adotado no País. Segundo Costa, essa decisão depende exclusivamente do presidente e pode ser tomada nas "próximas horas" ou nos "próximos dias".

Costa disse que deve ir ao Japão mesmo se decidir deixar o ministério para se candidatar ao governo de Minas Gerais – decisão que ele disse que tomará na semana que vem. "Eu não abro mão da viagem ao Japão", disse.

Apesar de continuar negociando a instalação de uma indústria de semicondutores no Brasil, Costa deu a entender que a escolha do padrão de TV digital poderia estar desvinculada dessa negociação. "Não estamos mais fazendo um condicionamento de que podemos esperar a implantação de uma fábrica, que leva dois ou três anos, para decidirmos sobre a TV digital", afirmou.

"Só queremos que os governos envolvidos com os sistemas apresentados nos dêem sinais de que estariam participando desse esforço do governo brasileiro de sair dessa situação de apenas montador e importador de semicondutores."

Ontem, Costa fez uma nova estimativa de custo para a construção de uma fábrica dessas. Segundo ele, seriam necessários investimentos de US$ 400 milhões a US$ 500 milhões, e não os US$ 2,5 bilhões previstos anteriormente. De acordo com o ministro, o que o Brasil precisa são de pequenas fábricas de semicondutores, que ele chamou de chips dedicados, que podem ser usados não só em televisores, mas também em outros aparelhos, como DVDs e eletrodomésticos.

O ministro desconversou quando foi questionado se a viagem ao Japão poderia significar que o Brasil já fez sua escolha pelo padrão japonês. "Não abrimos mão de continuarmos esses entendimentos, que estão caminhando muito bem, principalmente na relação governo a governo", disse. Mas fez questão de afirmar que o governo japonês está "perfeitamente sintonizado" com essa preocupação brasileira. O governo brasileiro estuda também os padrões europeu e americano.

Segundo ele, o Brasil não precisa esperar os estudos desenvolvidos pelas empresas que demonstraram interesse de se instalar no Brasil porque o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já teria um estudo "muito bem feito" sobre uma eventual indústria de semicondutores. Esse estudo indicaria os procedimentos que devem ser adotados no Brasil para qualquer tipo de investimento nesta área.