O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, afirmou nesta quarta-feira, 20, durante apresentação dos números do setor externo, que em 2018 o déficit em conta corrente deve se ampliar de forma consistente. Isso está ligado, segundo ele, ao processo de recuperação da economia, que leva a um aumento das importações de produtos.

Os dados desta quarta do BC mostram que a projeção de déficit em conta corrente para 2017 é de US$ 9,2 bilhões e para 2018 de US$ 18,4 bilhões. Essa elevação se deve, em grande parte, à balança comercial, que nas projeções do BC fechará 2017 com superávit de US$ 64,0 bilhões e encerrará 2018 com superávit de US$ 59,0 bilhões. Dentro da balança, as importações saltarão de US$ 153,0 bilhões em 2017 para US$ 166,0 bilhões em 2018, conforme os cálculos da instituição.

Ao avaliar os dados divulgados nesta quarta, Rocha também pontuou que o déficit em conta acumulado de janeiro a novembro de 2017, de US$ 5,418 bilhões, é o mais baixo desde o mesmo período de 2007. Já o déficit em conta em novembro, de US$ 2,388 bilhões, é o maior desde novembro de 2015.

Rocha afirmou que a projeção para o mês de dezembro é de déficit em conta de US$ 3,8 bilhões. No caso do Investimento Direto no País (IDP), a estimativa para dezembro é de US$ 10 bilhões. Em dezembro, até o dia 18, o IDP já soma US$ 4,6 bilhões.

“No último mês dos últimos anos, os ingressos de IDP têm sido bastante significativos. Foram US$ 15,3 bilhões em dezembro de 2016, US$ 14,6 bilhões em dezembro de 2015 e US$ 10,1 bilhões em dezembro de 2014”, citou. “Achamos que IDP vai acelerar no fim do ano e chegará a perto de US$ 10 bilhões em dezembro”, acrescentou.

Porcentagem do PIB

O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central apresentou novas projeções para as contas externas em 2017 e 2018 e ressaltou que, apesar do aumento do déficit previsto para o próximo ano, as contas continuam sendo cobertas integralmente pelo ingresso de Investimento Direto no País (IDP).

Estimativa apresentada mais cedo indica a expectativa de rombo das contas externas equivalente a 0,45% do PIB neste ano – ou US$ 9,2 bilhões – e 0,88% no próximo ano – ou US$ 18,4 bilhões. “Mesmo com aumento, o déficit em conta corrente previsto para 2018 não alcançará 1% do PIB”, disse Rocha.

Esse déficit, notou o técnico do BC, será completamente financiado pelo ingresso de IDP esperado. Em 2017, a autoridade monetária prevê entrada equivalente a 3,66% do PIB em investimento direto ou US$ 75 bilhões. Para 2018, a entrada é prevista em 3,83% do PIB ou US$ 80 bilhões.

Rocha explicou que o aumento do déficit previsto em 2018 é resultado da melhora da atividade econômica. Com esse cenário, há, por exemplo, maior fluxo de remessa de lucros e dividendos por multinacionais instaladas no Brasil. O BC prevê saída de US$ 21,5 bilhões do Brasil por multinacionais e US$ 25,5 bilhões no próximo ano

Parcial de dezembro

Segundo Rocha, a despesa com pagamento de juros soma US$ 1,290 bilhão em dezembro até o dia 18. No mesmo período, a remessa de lucros e dividendos somou US$ 2,354 bilhões no mesmo período até o dia 18.

Ao mesmo tempo, o investimento estrangeiro em ações no Brasil teve saída líquida de US$ 334 milhões no mesmo período até o dia 18. Já o investimento estrangeiro em renda fixa no Brasil teve saída líquida de US$ 2,118 bilhões no mesmo período.

Taxa de rolagem

O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central prevê que a taxa de rolagem das operações de crédito externo deverá ficar em 100% no próximo ano. Essa é a mesma taxa observada no acumulado entre janeiro e novembro de 2017.

A previsão de rolagem total foi feita diante do cenário externo favorável, informou o técnico do BC. “O número indica que vamos ter ingresso sólido de recursos”, disse Rocha.

O chefe de departamento do BC informou também que a taxa de rolagem parcial do mês de dezembro está em 89%, conforme dados até o dia 18. Nesse período, o porcentual de operações de crédito que venceram e foram renovadas está em 126% em crédito obtido através de papéis e 71% em empréstimos diretos.

Serviços

Rocha ressaltou que a conta de viagens internacionais e de transporte são as que mais têm reagido entre as rubricas de serviços das contas externas. As duas cifras, disse, são diretamente influenciadas pela atividade econômica.

“A conta de transportes está muito vinculada à corrente de comércio do Brasil. Com crescimento da corrente de comércio, há aumento desse gasto”, disse ele, ao comentar que os volumes têm aumentado cerca de 30% na comparação com o ano passado. O mesmo fenômeno, disse, acontece em viagens internacionais, cuja despesa dos brasileiros no exterior tem crescido entre 32% e 33% na comparação com 2016.

Rocha informou que, em dezembro até o dia 18, a conta de viagens está deficitária em US$ 702 milhões, resultado de despesas totais de US$ 982 milhões e receitas de US$ 280 milhões.