O déficit de infraestrutura no Brasil causa um prejuízo anual de R$ 284 bilhões à economia, travando a produtividade e a competitividade do país. Estradas ruins e portos saturados encarecem a logística, funcionando como um imposto extra sobre a produção. O impacto atinge setores vitais como indústria, energia e transporte. As informações são da Gazeta do Povo.
Para alcançar um nível ideal de crescimento, o Brasil precisaria investir 4,65% do Produto Interno Bruto (PIB) anualmente nas próximas duas décadas. Em 2024, porém, os investimentos somaram apenas 2,27% do PIB. Pior: 61,7% desses recursos foram usados apenas para remendar ou repor o que já estava velho, em vez de expandir a rede de serviços.
Custo logístico funciona como imposto adicional
A falta de investimento adequado encarece a operação logística das empresas. As despesas com transporte e armazenagem funcionam como um imposto adicional sobre a produção. Em setores como materiais de construção e óleo e gás, o frete pode consumir até 14% das receitas, reduzindo drasticamente a capacidade de competir no mercado global.
O Brasil ainda é extremamente dependente das rodovias, que recebem mais da metade dos investimentos do setor. A maior parte da malha pavimentada é administrada pelo setor público e apresenta conservação ruim, aumentando gastos com combustível e manutenção. Enquanto isso, o transporte por rios e ferrovias ainda patina por falta de verbas ou projetos inviáveis.
Insegurança jurídica afasta investidores privados
O setor elétrico lidera a atração de capital, mas sofre com o encarecimento das tarifas devido a falhas na transmissão. Já o saneamento ganhou fôlego com novas leis que permitiram privatizações. O desafio agora é o saneamento ampliado, que além do esgoto, envolve acabar com lixões e construir galerias para evitar enchentes que paralisam a economia das cidades.
O grande entrave para a chegada de mais investimentos privados é a insegurança jurídica e a interferência política em agências reguladoras. Para investidores despejarem o capital necessário, eles precisam de estabilidade nos contratos e agilidade do Judiciário em revisar decisões. Como o Estado brasileiro está muito endividado, a saída depende de parcerias com a iniciativa privada.
