A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ignorou cerca de 60 denúncias sobre irregularidades no Banco Master e em fundos ligados ao banco desde 2022. O órgão, responsável por fiscalizar o mercado de capitais no Brasil, arquivou parte das denúncias por considerá-las inverossímeis ou por falta de pessoal para apurá-las. As informações são da Gazeta do Povo.

continua após a publicidade

As denúncias apontavam manipulação de balanços pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, reavaliação de ativos sem valor em fundos fechados e alertavam que o prejuízo recairia sobre o Fundo Guarantidor de Créditos (FGC). A liquidação do Master gerou um rombo de R$ 57 bilhões ao FGC.

Algumas denúncias anônimas foram feitas diretamente ao FGC e encaminhadas à CVM. A Corregedoria da CVM avalia agora o arquivamento dessas denúncias. A Polícia Federal já sabia que o órgão não tinha pessoal e orçamento suficientes, mas desconhecia a dimensão do que foi ignorado.

Denúncia de 2022 alertava sobre esquema de pirâmide

Uma denúncia anônima de 2022 alertava que o banco preparava um balanço fraudulento e que o Banco Central não percebia as irregularidades. O relato apontava que, de quase R$ 5 bilhões captados, mais de R$ 3 bilhões estavam em ativos sem liquidez, como fundos imobiliários e títulos sem classificação de risco.

continua após a publicidade

O denunciante descrevia um esquema de pirâmide em que captações novas cobriam as antigas, mas os ativos sem valor cresciam até comprometer a solvência do banco. A denúncia citava que seria necessário um banco maior assumir a operação antes que o esquema explodisse.

Aliados de Vorcaro recebiam recursos desviados

A denúncia também citava aliados de Vorcaro que recebiam parte dos valores desviados. Entre eles, o ex-sócio Augusto Lima, apontado pela Polícia Federal como interlocutor do senador Jaques Wagner (PT-BA) no Senado, e o empresário Nelson Tanure, que teria se financiado pelo banco para investimentos.

continua após a publicidade

Posteriormente, Vorcaro negociou com o então presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, a venda de carteiras de crédito de R$ 12 bilhões sem lastro. A tentativa de vender parte do Master foi barrada pelo Banco Central durante as investigações.

A CVM informou que criou um grupo de trabalho em 2026 para consolidar as denúncias recebidas. O órgão afirmou que tinha 56 processos abertos sobre o conglomerado em 2022, mas as investigações avançaram apenas em 2025, até a Operação Compliance Zero em novembro, quando Vorcaro foi preso. A CVM admitiu que os parâmetros para tratamento de denúncias precisam de aprimoramento, mas não responsabilizou individualmente os envolvidos no arquivamento.

A Gazeta do Povo procurou a CVM e aguarda retorno. O FGC informou que não comentará as informações.