Pela segunda vez este ano, a Petrobras será envolvida em uma investigação de vazamento de informação privilegiada na Comissão de Valores Mobiliários. Nesta terça-feira (3), a autarquia confirmou que irá apurar o volume de negócios acima do normal com ações da Suzano Petroquímica dias antes de a Petrobrás anunciar oficialmente a compra de parte do controle acionário da companhia. Há quatro meses, a estatal também esteve no centro de uma investigação de informação privilegiada por conta da compra do Grupo Ipiranga.
Segundo o superintendente de Relações com o Mercado e Intermediários da autarquia, Waldir Nobre, a quantidade de negócios com papéis da petroquímica disparou nos últimos dias e bateu nos filtros de análise da autarquia que identificam movimentos fora de padrão no mercado de capitais. "Não houve uma oscilação grande de preço, mas o volume cresceu muito", afirmou.
Ontem, as ações preferenciais (sem direito a voto) da Suzano movimentaram R$ 16 milhões no pregão da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), valor que supera em 300% a média de negociação dos papéis em julho (R$ 3,9 milhões). O apetite dos investidores pelas ações da companhia cresceu principalmente a partir de 23 de julho. De lá para cá, o papel movimentou uma média diária de R$ 7,2 milhões. Nesta sexta-feira, dia da confirmação da venda, as ações da petroquímica registraram o maior volume de negócios de sua história, de R$ 64 milhões, e uma valorização de 56,2%.
Identificada a movimentação atípica, a CVM deve agora solicitar à Bovespa a lista dos investidores que operaram com o papel e comparar com os envolvidos na negociação para aquisição da Suzano pela Petrobras. Durante as investigações do caso Ipiranga a CVM trabalhou em conjunto com o Ministério Público e chegou bloquear os recursos movimentados por quatro investidores suspeito de uso de informação privilegiada.


