Economia

CUT e montadoras pressionam governo contra cotas para carros chineses

Ilustração sobre economia e finanças com a logo da Tribuna do Paraná no canto superior esquerdo. A imagem mostra moedas empilhadas, uma calculadora, cédulas de real, gráficos financeiros, indicadores de crescimento e um caderno com relatórios. Ao fundo, aparece um prédio institucional desfocado com a bandeira do Brasil, simbolizando decisões econômicas, mercado financeiro, impostos, programas governamentais e economia popular. Design clean, moderno e voltado para conteúdos de notícias econômicas.
Decisões econômicas, inflação e mercado: entenda como os rumos da economia afetam o seu dia a dia. Foto: Imagem criada com IA.

A Confederação Única dos Trabalhadores (CUT), a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e federações industriais se uniram para pressionar o governo federal a não prorrogar as cotas com alíquota zero para veículos eletrificados chineses. Apesar da mobilização, a Câmara de Comércio Exterior (Gecex) prorrogou por mais seis meses as cotas de importação para veículos desmontados e semidesmontados, no valor de R$ 2,4 bilhões. As informações são da Gazeta do Povo.

A decisão favorece principalmente a montadora chinesa BYD, que começou a produzir carros no Brasil em 2025 em Camaçari (BA), onde antes funcionava a unidade da Ford. A empresa utiliza o modelo SKD, no qual os veículos chegam pré-montados e são finalizados no complexo industrial.

A Anfavea enviou carta ao presidente Lula pedindo a recomposição do imposto de importação aplicável aos veículos eletrificados. Segundo a entidade, a medida é essencial para a manutenção de empregos e o fortalecimento da cadeia produtiva nacional.

Sérgio Nobre, presidente da CUT, também enviou carta a Lula em nome de centrais sindicais e sindicatos de metalúrgicos. Ele pediu a suspensão da portaria que ampliou para US$ 463 milhões a cota de importação com alíquota zero. O Sindicato Nacional da Indústria de Componentes de Veículos Automotores (Sindipeças) e federações das indústrias também se posicionaram contra a prorrogação.

A Anfavea criticou a decisão e alertou que ela coloca em xeque a confiança de empresas que ajustaram planos de investimento. A associação ressalta que a indústria anunciou investimentos de até R$ 140 bilhões até 2033, contando com as regras pactuadas. O Sindipeças informou que investimentos podem ser reduzidos ou eliminados pela falta de previsibilidade.

As cinco maiores montadoras chinesas — BYD, GWM, Geely, Omoda e Jaecoo (grupo Chery) e GAC — tiveram 15% de participação nos emplacamentos de automóveis novos entre janeiro e maio de 2026, segundo a Fenabrave. Somente a BYD teve participação de 8,9% nos emplacamentos nos cinco primeiros meses do ano, contra 5,4% no mesmo período de 2025.

Os investimentos da indústria automobilística chinesa no Brasil foram de US$ 965 milhões em 2025, segundo o Conselho Empresarial Brasil-China. A Geely adquiriu 26,4% da Renault do Brasil e prevê investimentos de R$ 680 milhões até 2027 para produzir veículos de baixa ou zero emissão no Paraná.

Todas as cinco maiores montadoras chinesas apresentaram crescimento no volume de pesquisas no Google em 2026. A Geely teve crescimento de 450% nos seis primeiros meses do ano, seguida pela Omoda (250%), GAC (160%), GWM (60%) e BYD (8%).

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